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Neide Carlos |
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Rogério Colnaghi explica o funcionamento do crematório |
Palco de discussões entre religiosos e até mesmo entre políticos bauruenses, o 1º crematório regional de Bauru foi implantado na última semana e será inaugurado em novembro deste ano, após a conclusão do prédio e a concessão da licença pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). No local, haverá uma área especial destinada ao acolhimento das cinzas em uma espécie de “jardim eterno”.
No exercício de seu mandato como vereador, entre 1978 e 1989, o professor aposentado Rodolpho Pereira de Lima, 81 anos, relembra, por meio de uma carta enviada ao JC no dia 23 de julho, suas tentativas frustradas em relação aos pedidos para a instalação de um forno crematório na cidade, feitos aos ex-prefeitos Oswaldo Sbeghen e Antônio Izzo Filho.
Após 34 anos de discussões, a implantação do forno foi concluída ontem, pela inciativa privada, no cemitério Jardim dos Lírios, situado no Distrito Industrial 3, após a instalação da parte elétrica e de gás do equipamento. O forno crematório chegou a Bauru no último dia 19, após alguns meses de espera.
De acordo com o sócio do Terra Prev (Planos de Assistência Familiar da Organização Terra Branca), que administra o cemitério Jardim dos Lírios, Rogério Costa Colnaghi, para funcionar o local aguarda o término das obras e a concessão da licença pela Cetesb.
“Um teste definitivo do forno está marcado para o dia 13 de setembro. Com isso, a Cetesb irá verificar se o funcionamento está dentro dos padrões e emitir o laudo para conseguirmos a licença”, aponta
Por dia, serão realizadas até quatro cremações na unidade. Cada serviço levará em torno de três horas para ser concluído, segundo Colnaghi.
Cremação
O forno, que possui capacidade única, atingirá temperaturas entre 900ºC e 1.200ºC. Além do forno, a estrutura do crematório, que ainda está em obras, possuirá três ambientes em um espaço de 380 metros quadrados de construção, que acomodará na sala principal 70 pessoas sentadas.
No local haverá uma sala de cerimônia, um necrotério com câmara fria e um anexo com a sala na qual ficará o forno.
Na prática, para serem cremados os corpos terão que permanecer em velório ou em câmara fria por um prazo mínimo de 24 horas. “Algumas religiões pedem 48 horas e outras até 72 horas de espera para o enterro ou cremação. Aqui, tudo dependerá da exigência que for feita”, frisa Colnaghi, sócio da Organização Terra Branca Planos de Assistência Familiar.
A documentação exigida para a cremação, segundo ele, inclui “o laudo da morte atestado por dois médicos, o registro do óbito na cidade onde a pessoa faleceu e uma declaração autenticada em cartório por dois parentes e duas testemunhas para os casos em que o falecido não tiver manifestado em vida a vontade de ser cremado”.
Nos casos em que haja interesse de investigação policial, a liberação deverá ser concedida somente por meio de autorização da polícia e da Justiça.
A cremação também poderá ser realizada após eventual exumação do corpo, três anos após a morte.
Opções e procedimentos
Após a cremação, a família terá como opção ficar com a urna ou usar outros três locais cedidos pelo cemitério para dar a destinação final correta às cinzas do parente falecido.
Um prédio com um cinerário que abrigará várias estantes com portas de vidro para o depósito das urnas é a primeira opção.
Em um jardim construído especialmente para o crematório, as cinzas também poderão ser jogadas em meio a flores ou até mesmo “plantadas”, simbolicamente, junto de uma árvore.
“É uma forma responsável e ecologicamente correta que encontramos de ajudar as pessoas a ‘eternizar’ seus entes queridos”, ressalta Rogério Costa Colnaghi.
Ainda em meio ao jardim da unidade, será construído um ossuário vertical, que deverá abrigar as cinzas de no máximo três pessoas da mesma família, ou até ossos, nos casos em que seja feita exumação.
O novo Plano Funerário Familiar, que será oferecido pelo Terra Branca nos próximos meses e terá a cremação como opção, ainda não possui valor definido.
Entretanto, para os que já são associados ao Terra Branca e pretendem aderir ao novo procedimento, será realizado contrato anexo no valor de R$ 15,00 a R$ 20,00 a mais nas parcelas. Dentro do plano, a cremação comtemplará pai, mãe, sogro, sogra, esposo, esposa e filhos até 21 anos de idade.
O procedimento ainda não possui valor específico, mas segundo Colnaghi, os associados ao Terra Branca terão de 40% a 50% de desconto no preço total da cremação, que no mercado atual gira em torno de R$ 2,5 mil a R$ 5 mil.