07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Infeliz descoberta


| Tempo de leitura: 3 min

Na primeira página do Jornal da Cidade do dia 25/07/12, estranhei a palavra "vazamento" da manchete "Vazamento de Esgoto já atrapalha até desenvolvimento econômico". Para mim poderia ter havido um lapso e involuntariamente teriam trocado a palavra tratamento por vazamento. Triste engano, eu estava errado! A coisa é bem pior. É notório para todos que o tratamento de esgoto é decididamente um dos pré-requisitos para facilitar o desenvolvimento de uma comunidade. Atualmente, com as restrições ambientais em vigência, não são mais permitidos novos lançamentos de esgotos sanitários "in natura" nos corpos d?água ? Lei 9.605 de fevereiro 1998, sendo configurado como crime ambiental. Novos empreendimentos têm que apresentar uma solução para seus efluentes líquidos gerados.

É condição primeira para alavancar o desenvolvimento de uma comunidade que esta possua todo o sistema de infra-estrutura urbana e que este equipamento urbano esteja funcionando perfeitamente e que o município tenha também uma localização privilegiada ? caso de Bauru. Deve possuir também áreas disponíveis para implantação de novos empreendimentos, com boas condições de acesso, que haja eficiente fornecimento de energia, de água, bem como coleta afastamento e posterior tratamento de esgotos.

Não é o que vemos na nossa cidade, pois em alguns quesitos está muito bem, mas infelizmente deixa muito a desejar em outros. A questão do tratamento de esgoto sanitário vem há anos sendo empurrado com a barriga, mesmo com a intervenção e cobrança do Ministério Público. O que podemos notar é que não há exigência que se faça cumprir quando há um desmonte que vem ocorrendo há vários anos ou várias gestões.

Cidades menores da nossa região já obtiveram ou estão perto de conseguir o selo verde azul emitido pela Secretária do Meio Ambiente do governo estadual. Bauru que é sede de uma importante região do Estado e poderia estar na vanguarda e liderança desta questão, mas ocupa a apenas a posição de 53,64 numa escala de 0 a 100, muito abaixo do necessário para receber o selo, que é de no mínimo 80 pontos. Quando a cidade é citada em eventos regionais, é para lembrar-nos que carecemos de tratamento de esgoto. E não adianta dizer que para pequenas comunidades os investimentos são menores. É apenas mudança de escala. O investimento é menor, mas esses municípios também arrecadam menos.

Agora, quando corriqueiras obstruções e extravasamentos de esgotos demoram meses para serem reparados, causando diversos transtornos aos munícipes e ao meio ambiente, a situação é muito grave. Se banais problemas operacionais viram dragão de sete cabeças, imaginem todo o processo que envolve a implantação do sistema de tratamento de esgoto, atualmente orçado em 120 milhões de reais.

Nossas autoridades têm o dever e o poder de agir e tomar as decisões urgentes quanto ao nosso querido DAE ? que já foi modelo de gestão em saneamento ambiental. E isto tem que ser feito antes que seja tarde demais! Pelo andar da carruagem, nota-se que há uma miopia, uma alienação em relação à questão, não sei se proposital ou não. Urge que despertem e resolvam o problema agindo no cerne da questão, não adianta tentar tapar o sol com a peneira, como até agora tem sido feito. E vão esperar até quando? Onam Gonçalves de Castro