08 de julho de 2026
Saúde

Combinação em favor da vida


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A primeira pesquisa clínica em oncologia realizada de forma independente da indústria farmacêutica no Brasil constatou que o uso combinado de duas drogas eleva em três meses e meio o tempo médio de sobrevivência de pessoas com casos graves de câncer de pulmão quando comparado com a quimioterapia com uma única droga.

Segundo o pesquisador Carlos Gil Ferreira, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), isso deve levar a uma mudança nas diretrizes de tratamento da doença, já que o aumento da sobrevida foi obtido sem aumento significativo dos efeitos colaterais.

O estudo contou com a participação de 220 pacientes com adenocarcinoma, tipo mais comum de câncer de pulmão. Em média, os que foram tratados com pemetrexede e carboplatina viveram 9,1 meses, contra 5,6 meses dos que receberam o tratamento usual, só com pemetrexede. Os resultados foram apresentados na 5ª Conferência Latino-Americana em Câncer de Pulmão, no Rio.

"Isso é importante porque muitas vezes os médicos evitam usar duas drogas, principalmente em pacientes idosos, por medo da toxicidade", diz o responsável pelo ambulatório de oncopneumologia da Santa Casa de São Paulo, José Rodrigues Pereira.

Com o estudo, o uso dos dois medicamentos deverá passar a integrar o protocolo de tratamento da doença. Segundo Ferreira, do Inca, duas das principais entidades internacionais que elaboram as diretrizes para câncer de pulmão já manifestaram interesse em alterar suas orientações com base no estudo.

Ele destaca que a experiência adquirida com a pesquisa permitirá ao país realizar novas investigações de forma independente da indústria.

"Os estudos patrocinados pela indústria respondem a perguntas que interessam à indústria. Com nossos próprios estudos, podemos buscar respostas para perguntas de interesse do SUS", diz.

Ele explica que, se dependesse de financiamento externo, a pesquisa provavelmente não ocorreria, já que a patente de um dos medicamentos está prestes a expirar.

Pesquisa e tratamento do câncer de pulmão foram temas no Rio

A 5ª Conferência Latino-Americana em Câncer de Pulmão, realizada na semana passada, no Rio de Janeiro, é parte da série de atividades regionais da Associação Internacional para o Estudo de Câncer de Pulmão.

A entidade congrega pesquisas de especialistas, principalmente pneumologistas, sobre as diferentes formas da doença, considerada altamente letal e o tumor maligno com maior incidência no mundo. As informações são da Agência Brasil.

Entre os temas em discussão estiveram mudanças na quimioterapia com o uso de drogas-alvo (medicamentos que atacam pontos específicos das células), a radioterapia e a cirurgia vídeo assistida. O uso de técnicas de rastreamento no tratamento da doença também pautou parte das discussões da conferência.

"Embora haja estudos no sentido de fazer a detecção precoce dos tumores desde a década de 1970, apenas no ano passado foi feito estudo, abrangendo 70 mil pessoas, em que o diagnóstico mais cedo teve redução relevante na mortalidade??, afirmou Mauro Zamboni, coordenador do grupo multidisciplinar de pneumologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

O estudo abre espaço para a diminuição dos índices de letalidade da doença, que historicamente é o mais elevado dentre os tipos de cânceres. Em 2009, 21.069 pessoas morreram no País vítimas da doença, conforme dados do Inca.

Um dos fóruns, paralelo à conferência, debateu a prevenção e controle da "epidemia?? do tabaco. A classificação como epidemia não é casual. Zamboni, que defende a proibição e banimento do tabaco, aponta que mais de 90% dos tumores no pulmão ocorrem em fumantes. "(O câncer de pulmão) é o tumor que mais mata e continua sendo uma epidemia mundial. Apesar de todas as leis restritivas, em diversos países, calcula-se que 47% dos homens e 15% das mulheres fumam??, disse Zamboni.

O pesquisador alerta para o aumento no número de mulheres fumantes, principalmente entre as mais jovens. Em 2012, estima-se 27.320 novos casos de câncer de pulmão no Brasil, sendo 17.210 em homens e 10.110 em mulheres, de acordo com o Inca.