09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Saúde pública é desafio? Não, é uma obrigação!


| Tempo de leitura: 3 min

Caros leitores, eu sempre mantive a linha "sensata" ao escrever meus artigos para esse espaço democrático, porém a ocasião me obriga a fazer o uso de palavras firmes que até possam soar como agressivas mediante a interpretação de cada um. Acompanhamos atentamente, nessa última semana, duas mortes no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru, fato esse que causou uma série de indignações da população bauruense para com o serviço público de saúde. No último dia 23/07, o aposentado Antonio Toledo, 76 anos, faleceu no PSC, com suspeita de ter contraído o vírus A (H1N1). Três dias depois, na quinta-feira (26), a jovem Drielly Britto, 22 anos, faleceu com o diagnóstico de colecistite aguda calculosa (pedra na vesícula), após sucumbir a uma hemorragia depois de três dias de espera (segundo matéria do dia 28/07, pág. 10/JC). Expostos os fatos, partimos para reflexão dos posicionamentos das personalidades de saúde publica e política de Bauru.

Segundo a mesma matéria do JC: "Questionadas, nem a administração municipal, nem o Estado assumiram a responsabilidade pela falha". Ou seja, observamos aqui a falta de comprometimento a partir do momento que ninguém assume a culpa e joga para o outro a responsabilidade pela manutenção e eficácia do serviço público de saúde. Senhores e Senhoras, a vida não espera por vergonha na cara, pelo contrário, a vida clama, implora, suplica por vergonha na cara quando se depara com um descaso dessa grandeza em pleno século XXI. Portanto, caríssimas personalidades, não "tapem o sol com a peneira", não fiquem indiferentes diante dos fatos, vamos unir esforços para extirpar/dizimar o mal que assombra a sociedade bauruense. Ironicamente, mostrem serviço neste ano eleitoral, pois é só assim que as melhorias acontecem, não é? Só em ano eleitoral!

Adiante, segundo palavras do deputado Pedro Tobias sobre o caso Drielly Britto: "Faltou comunicação e integração entre os agentes de saúde para que a paciente fosse devidamente atendida". Caro deputado, a população ao votar a favor de sua entra no Congresso Nacional, buscou eleger um homem que fosse capaz de captar recursos federais para a melhoria de Bauru e prover a fiscalização do bom andamento do serviço público de saúde (sendo o deputado um homem da área da saúde). Estar ciente dos acontecimentos e demandas da sociedade bauruense é seu dever, portanto, se houve falta de comunicação e integração, o deputado deveria intervir para ser o elo entre os extremos desse descaso e não permitir que essa tragédia acontecesse.

Sem mais delongas, sei que estou sujeito a retaliações em razão das palavras acima, mas estou em pleno dever de democraticamente expor minha opinião e, cá entre nós, opinião essa, que pode ser de muitos bauruenses. Espero que já tenha chegado o limite de mortes para que alguma medida seja tomada rapidamente.

A saúde não é desafio do governo é obrigação do governo. Está na hora de sair às ruas, cobrar políticos, enfim, cobrar melhorias para nossa sociedade. Reitero que 2012 é um ano eleitoral e ao contrário das eleições anteriores, devemos estudar muito bem nossos candidatos! Às famílias, espero que sejam confortadas pelas belas lembranças enquanto estiveram ao lado de seus entes queridos, sabemos que não há nada que possa ser feito para trazê-los de volta, porém, acreditem, eles estão em um lugar muito melhor que o nosso e o melhor de tudo, nos ajudarão a mudar essa triste realidade. Fé e Força!

Rafael Aguiar