Brasília - O primeiro dia do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal foi marcado por um ríspido bate-boca entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, respectivamente o relator e o revisor do processo. O primeiro acusou o segundo de “deslealdade”.
O motivo foi um pedido do ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos para que processo fosse remetido à primeira instância no caso de quem não tem foro privilegiado - 35 dos 38 réus, inclusive seu cliente, um executivo do Banco Rural. Ele foi vencido por nove votos a dois, mas o longo voto de Lewandowski acabou atrasando o cronograma e dificultando ainda mais a participação de Cezar Peluso, que se aposenta daqui a um mês.
Peluso é visto como voto certo pela condenação dos réus, enquanto Lewandowski já sinalizou que poderá apontar para absolvições. “Nós precisamos ter rigor. O mais alto tribunal do País decidiu, longamente, não vejo razão, me parece até irresponsável voltar a discutir a questão”, disse Barbosa sobre o pedido do advogado.
Lewandowski falou em seguida e revelou que leria um grande voto em apoio à questão levantada por Bastos.
Barbosa, que já participou de vários bate-bocas no plenário, foi para o ataque: “Vossa Excelência é revisor desse processo, me causa espécie que poderia tê-lo feito há seis ou oito meses”.
“Causa espécie que o senhor queira cassar a minha palavra”, retrucou Lewandowski. Ao que Barbosa reagiu: “Me parece deslealdade, como revisor, deslealdade”.
Lewandowski disse então que as críticas prenunciam que o julgamento “será muito tumultuado”.
Quando Lewandowski começou a ler o voto, Barbosa deixou a sala por 25 minutos. Ao retornar, dirigiu-se ao presidente do STF, Ayres Britto, e gesticulou várias vezes, manifestando contrariedade com a leitura do voto de Lewandowski, que demorou 1 hora e 23 minutos.
Britto queixou-se da demora. O revisor disse que tratava ali da “vida, honra e liberdade” de pessoas. Britto insistiu e se calou após um irritado Lewandowski dizer: “Então o senhor quer impedir que eu faça (o voto)?”.
Nos bastidores, é grande o mal-estar entre Britto e Lewandowski. O primeiro defendia um julgamento tão enxuto quanto possível, mas o segundo indica que usará o tempo que achar necessário.
Ao final, Barbosa voltou a criticar Lewandowski: “O ministro, de uma certa forma, colocou em questão a legitimidade dessa Corte para julgar esta ação penal”.
Toffoli decide participar do julgamento
Brasília - Ex-advogado do PT, ex-assessor de um dos réus do mensalão e namorado de uma advogada que atuou no processo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli decidiu participar do julgamento.
Na sessão de ontem, o ministro votou contra o pedido para enviar parte da ação penal para tribunais inferiores.
Após afirmar que não descartava questionar a participação de Dias Toffoli no julgamento, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, desistiu do pedido.
O procurador cogitou pedir a declaração do “impedimento” ou “suspeição” do integrante do Supremo. Para ele, isso poderia atrasar ainda mais o julgamento.
A participação de Toffoli, porém, não tem o poder de mudar a história do julgamento no Supremo. A avaliação na corte é que, sem a participação dele, um empate em 5 a 5 já favoreceria os réus da mesma forma que um placar por 6 a 5, com seu voto contabilizado. Em caso do empate na votação, a decisão sempre é favorável aos acusados. Para os ministros, a questão tem um caráter simbólico mais forte do que o prático.
Roberto Jefferson terá de fazer quimioterapia
Rio - O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), 59 anos, deve ter alta no próximo domingo, segundo informações do Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio.
De acordo com o oncologista Daniel Tabak, responsável pelo tratamento do político, o paciente terá de realizar sessões de quimioterapia venosa, previstas para começar após quatro ou seis semanas da cirurgia, realizada no sábado passado.
As sessões de quimioterapia só podem começar após a cicatrização dos tecidos afetados pela cirurgia para a retirada do tumor.
A cirurgia realizada no sábado teve duração de oito horas. Na operação foi retirada parte do estômago, parte do pâncreas, do duodeno e ainda de parte do canal biliar.
O foco maligno do tumor é inferior a 2 centímetros. Os médicos afirmam ainda que a doença está em estágio inicial.
“Vamos utilizar uma droga quimioterápica, mas não haverá queda de cabelo, nem qualquer limitação física porque a droga utilizada é a menos tóxica possível. Não vai impedir suas atividades”, destacou Tabak que informou ainda que esse tratamento não causa náuseas.
Segundo o médico, Jefferson não terá qualquer proibição, nem de realizar viagens, entretanto, os médicos não aconselham movimentações na recuperação.