Em entrevista à rádio Auri Verde nesta semana, no projeto que conta com o apoio do Jornal da Cidade, o candidato à Prefeitura de Bauru Paulo Sérgio Martins (PSTU) reforçou a ideia de que seu partido participa do pleito com o objetivo de marcar posição a partir de suas convicções ideológicas, como a defesa do calote nas dívidas, inclusive a da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab).
Com número restrito de filiados no PSTU, sem nem mesmo candidatos à Câmara Municipal pela sua chapa, Paulinho acredita que conseguiria governar contando com “o apoio da população”, ainda que, em caso de vitória, teoricamente tivesse de negociar com parlamentares de oposição.
O candidato negou que faria, por exemplo, acordos políticos para garantir a governabilidade. “O governo seria para os trabalhadores, que se organizariam e teriam controle de 100% do dinheiro público. Se o povo tiver esse entendimento, não há Câmara que segure”, afirmou.
Paulinho argumentou que o partido não lançou candidatos porque muitos militantes, inclusive fundadores do PSTU, não constaram como filiados no sistema eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Não tivemos tempo hábil para corrigir, mas isso não será problema para nós”, garantiu.
Municipalização da Saúde
O candidato do PSTU criticou o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) por esperar quase quatro anos para levantar a eventual municipalização dos hospitais de Bauru, após a tragédia que matou dois pacientes na fila do Pronto-Socorro Central (PSC) na semana passada.
Paulinho defendeu, inclusive, a gestão municipal do Hospital Estadual (HE), que tem abrangência regional. “É só passarem os recursos para a cidade”, simplificou, sem, contudo, debater o sistema de financiamento do setor em detrimento à ampla demanda.
O sindicalista criticou ainda a criação da Fundação Regional de Saúde. Segundo Paulinho, a entidade favorecerá o apadrinhamento político. “A gente sabe que há interesses da família Monti [do secretário municipal Fernando Monti] por trás disso. É lamentável que estejam fazendo esse circo todo para dizer que a saúde vai melhorar”, afirmou.
Crítica à lei fiscal
Paulo Sérgio Martins chamou a Lei de Responsabilidade Fiscal de ‘sacanagem’ e disse que ela só é lembrada quando estão em discussão os interesses dos trabalhadores. O candidato defende o fim das contratações terceirizadas no poder público, mesmo com a despesa com folha pagamento próxima dos quase 51% permitidos. “A gente vai cumprir a lei de responsabilidade social”, bradou.
O sindicalista atacou também os Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) implantados na gestão Rodrigo Agostinho. “O governo deu com uma mão e tirou com duas. Infelizmente, o sindicato da categoria aceitou a discussão da forma com que ela foi colocada pela administração”, pontuou. Mas, como em outros temas, Paulinho não explicou o contraponto.
Para Paulinho, o número de 180 cargos comissionados na Prefeitura de Bauru é abusivo, mas preferiu não dizer com quantos governaria caso eleito. Segundo ele, a quantidade de cargos se dá em razão das obrigações políticas com os 15 partidos que formam a aliança que apoia a reeleição do prefeito.
Calote
Sempre presente nas plataformas apresentadas pelo PSTU, os calotes nas dívidas públicas foram defendidos por Paulinho, inclusive à de R$ 400 milhões da Cohab. “Quem sofre o maior calote é o povo. O governo deveria usar esse dinheiro para melhorar a saúde e a educação”, afirmou, como se a companhia já contasse com os recursos para quitar a dívida.
O candidato alegou ainda não ter receio de bloqueio de repasses federais em razão da postura defendida. “O dinheiro que ficaria aqui seria muito maior do que os valores enviados”.
Sucateamento no DAE
Paulo Sérgio Martins acusou o governo municipal de promover, propositalmente, o sucateamento do Departamento de Água e Esgoto (DAE) com o objetivo de privatizá-lo. “Eles dizem que não, mas está na cara que vão entregar. Os partidos que apoiam o atual prefeito estão ligados ao Governo Federal e são privatistas”, afirmou.
O candidato não soube apontar quais as soluções imediatas para o problema da falta de água e para o combate aos vazamentos. No entanto, disse que os investimentos, até mesmo para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), devem ser custeados com taxas aos empresários da construção civil. “São muitos prédios novos. A Prefeitura tem que taxá-los”, defendeu.