09 de julho de 2026
Regional

Apelidos dão tom exótico à disputa eleitoral na região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min


O palhaço Salsicha é candidato a vereador da cidade de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru). Há 20 anos na profissão de fazer rir e divertir as pessoas, ele não pestanejou em registrar o apelido.


O motivo é que na cidade ninguém conhece Alexandre Aparecido Ferreira, 33 anos, seu nome de batismo, mas se perguntarem pelo palhaço Salsicha, a situação fica diferente. “Todos os moradores da cidade me conhecem pelo apelido”, garante.


Ele conta que trabalhou nos melhores circos do Brasil. “São 20 anos de dedicação. Trabalhei no circo Garcia. Aqui em Pirajuí, estou há 10 anos e 99% da população conhece o palhaço. Trabalho em aniversários e festas. Na região, trabalho muito fazendo a alegria das crianças.”


Inspirado na campanha do palhaço Tiririca, que foi eleito deputado, Salsicha pretende uma cadeira na Câmara, onde sonha defender seu público-alvo, as crianças. “Quero que as crianças da cidade tenham uma prática esportiva no horário contrário ao dos estudos. Vou fazer um projeto para encaminhar ao governo estadual e montar um circo aqui.”


Salsicha quer montar o circo para que as crianças de Pirajuí tenham uma juventude mais sadia. “Muitas cidades conseguiram a verba para o circo. Eu vou buscar o recurso para montar aqui. Brincando, as crianças poderão ter uma profissão.”


A campanha do candidato está baseada nesse projeto, mas ele já acumula histórias de luta para o bem da população. “A ponte que liga a Vila Bel ao centro da cidade caiu e ficou dois anos sem conserto, prejudicando a população. Eu organizei o aniversário do descaso. Fiz o aniversário da ponte quebrada. Em 20 dias, o poder público arrumou.”


Ele acredita que o conserto foi feito graças a uma luta da população. “Ninguém tomava providência, depois do evento que chamou a atenção dos moradores para o fato, o poder público consertou.”


O vereador mais votado na última eleição municipal em Boracéia (41 quilômetros de Bauru) é candidato a vice- prefeito nesse pleito. Para conquistar os votos da população que chega a 4 mil habitantes ele adotou o apelido pelo qual garante que todos os moradores o conhecem, Di Picapau.


Herança do pai e do tio, que mantinham em Boracéia o Bar/Armazém Pica-Pau. O candidato que no batismo recebeu o nome de Valdir de Souza Melo garante que ninguém o conhece pelo nome, só pelo apelido.


“Meu pai é José e meu tio era Antonio. Ele ficou Zé Picapau e meu tio, Tuninho Picapau. Quando eu nasci, fui batizado de Valdir e ficou Di Picapau. Sou funcionário público da saúde e na última eleição municipal obtive quase 10% dos votos válidos.”


Embora o nome remeta à ave, o candidato garante que não usa nenhuma figura em sua campanha. “Não uso a figura porque o apelido não está associado a ave e nem ao personagem do famoso desenho. O bar está fechado, meu pai se desfez do estabelecimento, aposentou, mas o apelido persistiu. Isso já faz mais de 40 anos.


Outro candidato de Boracéia também adotou o apelido para conquistar votos. “Sou candidato a vereador pela primeira vez. Tenho o apelido de Batata desde criança, quando jogava bola na rua. Nem sei porque ele surgiu. Só sei que ficou. Hoje, 99% da população me chama por Batata.”


Ademir Antônio Videira Braite, 47 anos, é comerciante e confessa que só a mãe e a mulher o chamam pelo nome. “Duas pessoas me chamam de Ademir, minha mãe e minha mulher. Os demais, me chamam de Batata.”