Damasco - Os enfrentamentos entre as forças do ditador sírio Bashar Assad e os insurgentes contra seu regime se intensificaram ontem em Aleppo, a maior cidade do país (2,5 milhões de habitantes) e na capital, Damasco. Em Aleppo, os confrontos se alastraram por mais regiões da cidade, chegando ao entorno da cidadela medieval, declarada patrimônio histórico da humanidade.
O regime usou força aérea e terrestre em Aleppo, para forçar os rebeldes a recuarem de suas posições. Ontem, os insurgentes dominam a metade da metrópole.
Os embates ocorreram também nos arredores das redes de TV e rádio da cidade. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede em Londres, diz que o sinal de TV em Aleppo foi cortado. Em Damasco foram ouvidas fortes explosões e helicópteros sobrevoavam a cidade.
China
Ontem, a China culpou o Ocidente por obstruir a diplomacia e soluções políticas para a guerra civil na Síria.
A afirmação vem em reação às críticas feitas por EUA e outros governos de que China e Rússia bloqueiam os esforços de solução do conflito. Pequim e Moscou vetam sistematicamente no Conselho de Segurança (CS) da ONU resoluções de sanção ao regime de Assad. Anteontem, a Assembleia-Geral da ONU condenou a inação do Conselho e o emprego da violência por Assad contra civis.
Sequestro
Um grupo de homens armados sequestrou Anteontem em Damasco um ônibus com 48 peregrinos iranianos xiitas que faziam um tour religioso.
Segundo a agência de notícias iraniana, o sequestro aconteceu quando o ônibus se dirigia para o aeroporto internacional de Damasco, onde teriam um voo de volta para o Irã.
Desde dezembro passado, 29 iranianos foram sequestrados por organizações armadas da oposição síria, incluindo dois grupos que foram capturados no início do ano e liberados depois de mediação feita pela Turquia.
Um alto funcionário do governo sírio teria dito que os sequestradores são membros do Exército Livre da Síria (ELS), um dos principais grupos opositores no país.
O governo da Síria tem no Irã -país acusado pelos EUA e por Israel de desenvolver armas nucleares- um dos últimos aliados na região.
O Irã também é visto como financiador do grupo Hizbollah, no Líbano, outro aliado estratégico que teria conexões com o regime de Bashar Assad.