Foi-se o tempo em que as fachadas dos bairros de Bauru eram monocromáticas, quase sempre tingidas de tons pastéis ou do tradicional branco. Hoje, o que se vê pela cidade é um cenário bem diferente: cheio de cor e personalidade.
A mudança, segundo a arquiteta Glória Lúcia Rodriguez Correia de Arruda, professora do curso de arquitetura da Universidade Sagrado Coração (USC), teve início na última década. “As pessoas querem uma casa diferente da casa do vizinho e buscam essa diferenciação na cor”, explica.
Segundo ela, em Bauru, especialmente, além da busca por um diferencial por parte de quem escolhe a cor da casa, há outro fator que tem influenciado nesta transformação: a presença das faculdades de arquitetura.
“Quanto mais escolas de arquitetura, mais profissionais modernos e ousados saindo do forno. Essa nova leva de arquitetos sabe e gosta de trabalhar com as cores. O reflexo disso pode-se conferir nos bairros da cidade”, explica Glória Lúcia.
Outro agente facilitador para a tendência é a tecnologia. Atualmente, lojas do ramo oferecem dezenas de opções de tom para cada cor. Além disso, a mistura de tintas pode ser feita na hora.
E para quem quer ousar, as opções são muitas. Tons de vermelho, azul, laranja, verde, roxo entre outros são capazes de conferir um ar alegre, sofisticado ou atraente às fachadas.
“Opções não faltam. Basta saber escolher o tom certo e não pecar pelo excesso”, ensina a arquiteta.
O lado psicológico
Quem nunca ouviu dizer que as cores têm poder de deixar as pessoas mais tranquilas, mais agressivas ou mais apáticas? Ou que determinadas cores favorecem os estudos ou estimulam o apetite? Certamente, você, leitor, já se deparou com algumas destas afirmações, afinal, os poderes das cores sobre o aspecto psicológico das pessoas já foi motivo de muitas teses e estudos.
Contudo, a psicóloga Maria Ivone Marche Costa, professora do curso de psicologia da Universidade Sagrado Coração (USC) alerta que apesar de as cores realmente terem tais propriedades, nem sempre elas ressoam da mesma forma no psicológico das pessoas.
“Não dá para generalizar e dizer que se você pintar a parede do quarto de azul você terá paz, alegria e serenidade. Pode ser que algumas pessoas se sintam desta forma e outras associem o azul à apatia e à depressão”, exemplifica.
O mesmo vale para o vermelho, que apesar de representar energia e vibração, pode ser considerada por muitas pessoas uma cor pesada e cansativa.
De acordo com ela, isso acontece porque cada indivíduo tem uma personalidade diferente, sendo que nem a escolha voluntária da cor pode dizer muito sobre quem a escolhe.
“Existem tendências, mas não é possível generalizá-las. Um exemplo: quem pinta a parede da sala em tons pastéis, no geral, pode ser considerada uma pessoa calma, tranquila, estável... Contudo, também pode ser que seja uma pessoa superagitada, energética e que escolheu os tons pastéis justamente para entrar em equilíbrio com sua personalidade”, exemplifica.
Tendências
É verdade que a personalidade tem um grande peso na decisão sobre qual cor escolher para pintar a fachada de uma casa, contudo, tão influente quanto ela é a tendência atual para o segmento. E, neste ano, é a vez do vermelho.
“O vermelho é o instrumento perfeito para transmitir valor e significado, sendo praticamente impossível ignorá-lo”, explica Benito Berretta, diretor de marketing da AzkoNobel Tintas Decorativas América Latina que anualmente desenvolve uma pesquisa sobre tendências de cores para tintas.
Segundo ele, o vermelho é uma cor respeitada no mundo todo pelos vários efeitos simbólicos que pode adquirir. Na China, por exemplo, a cor é associada à boa sorte; na Índia, representa bênção no casamento e também discernimento; em muitas sociedades ocidentais é a cor da paixão, do poder e das celebrações.
“É um tom confiante e robusto, que vai aquecer os corações em 2012”, afirma Benito.