07 de julho de 2026
Bairros

Do lado de fora

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min


Vermelho, verde, azul, branco, bege, laranja ou todas estas cores juntas, em uma única parede: assim são as fachadas das casas de Bauru. Cada dia mais modernas e coloridas, aos poucos, elas estão se tornando uma marca registrada da cidade.


Para comprovar a afirmação, basta caminhar pelos bairros do município. Pouco a pouco, os tradicionais tons pastel estão sendo substituídos por cores vibrantes e ousadas.


“A ideia é diferenciar minha casa da casa dos vizinhos. A cor serve como referência, deixa a rua mais alegre, transmite vida”, justifica Luiz Fernando Sousa, morador da Vila Souto, que pintou a fachada de sua casa em um tom vibrante de vermelho terroso.


Denise Moura, também moradora da Vila Souto, concorda com a explicação do quase vizinho. “Hoje em dia temos tantas opções de cores. No meu caso, foi meu marido que escolheu pintar a fachada de azul. E eu gostei da ideia: a cor personalizou a casa”, justifica.


De acordo com a arquiteta Glória Lúcia Rodriguez Correia de Arruda, professora do curso de arquitetura da Universidade Sagrado Coração (USC), as possibilidades abertas pelas novas tecnologias somadas à vontade de diferenciação são os principais fatores para a transformação que vem ocorrendo na cidade.


“Ninguém quer ter a casa igual a do vizinho”, aponta ela, que destaca o fato de as cores escuras desbotarem com mais facilidade.


Benito Berretta, diretor de marketing da AkzoNobel Tintas Decorativas América Latina, que anualmente desenvolve uma pesquisa sobre tendências de cores para tintas, acrescenta ainda que os tons vibrantes na fachada têm a ver com o aspecto psicológico da situação.


“A escolha de cores é cada vez mais associada à sensação que a pessoa quer transmitir, refletindo, por exemplo, seu momento de vida”, explica.

 

Casa do ‘Lar doce lar’


E quando o assunto é fachada colorida em Bauru, a casa de João e Maria, reformada pelo quadro “Lar doce lar” do Caldeirão do Huck, é referência. Localizada no Parque Real, a casa tem fachada com seis cores diferentes: pink, rosa, vermelho, laranja escuro, laranja claro e amarelo.

A escolha de cores, segundo o arquiteto Marcelo Rosenbaum, é uma homenagem ao pôr-do-sol japonês, já que a casa funciona também como academia de caratê.

 

No comércio


Até pouco tempo, fachadas com cores vibrantes eram exclusividade de estabelecimentos comerciais que, interessados em atrair a atenção de seus clientes, comumente recorriam ao poder do vermelho, do verde, do alaranjado, do azul, entre outras cores para conquistar seus objetivos.


“Para o comércio, investir nas cores das fachadas é mais fácil: não fica algo pessoal”, explica a arquiteta Glória Lúcia Rodriguez Correia de Arruda, professora do curso de arquitetura da Universidade Sagrado Coração (USC).


Tão mais fácil que, com o tempo, algumas cores tornaram-se sinônimo de alguns segmentos comerciais. O vermelho e o amarelo, por exemplo, são sempre utilizados em lanchonetes e restaurantes, e o verde claro é o tom mais recorrido por consultórios médicos e hospitais.


“Já o amarelo, o laranja e o verde são tons que estimulam o movimento, por isso são sempre muito utilizados por academias”, explica.