08 de julho de 2026
Regional

Garça tem ?Maracatu Rural? hoje

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Garça - Começa nesta segunda-feira e vai até 31 de agosto a exposição itinerante “Maracatu Rural” na Galeria Municipal João Rodolfo Brizola Julião em Garça (70 quilômetros de Bauru).


A Exposição contará com 26 obras de autores não identificados e outros com menção a artistas como: Manuel Eudócio Rodrigues e Helder Ferrer. Os títulos são: Estante de Maracatu – “Carpina Carnaval”, Gola, Chapéu, Maracatu e séries Suite Azougue. As técnicas são as mais variadas como: tecidos com enchimentos e com apliques de fios dourados e lantejoulas, tecido com aplique de lã, lantejoula e miçangas, Chapéu de palha e papel metalizado, cerâmicas pintadas e belíssimas fotografias de coleção particular.


 “Esta é uma oportunidade única, pois exposições como esta que está sendo apresentada na Galeria Municipal é solicitada por muitos municípios e até mesmo por outros estados afirma João Julião”.



Significado


Maracatu Rural – Festividade e Tradição é considerada uma das mais tradicionais e coloridas festividades carnavalescas do país. O Maracatu Rural surge na Zona da Mata pernambucana entre o fim do séc. XVIII ou início do XIX e está vinculado aos festejos de Coroação dos Reis do Congo.


Estas manifestações se desenrolavam num ambiente católico associado às Irmandades Negras, havendo um momento dedicado à consagração de uma liderança, que, embora sob uma estética de realeza europeia e sob o jugo dos senhores de escravos, imbuía-se de um poder semelhante ao das ‘chefaturas’ tradicionais africanas.  


Assim, a coroação e reverência pública aos reis e rainhas nos dias de festa assemelha-se a costumes oriundos de algumas regiões da África (em especial no Reino do Congo e também no Reino do Daomé – atual Benin) em que os reis, acompanhados por seu séquito constituído por príncipes, princesas e outras figuras nobremente trajadas, lideravam cortejos embaixo de imponentes guarda-sóis.


O Maracatu Rural também é realizado nas passagens do ciclo do processamento da cana-de-açúcar, como plantio, colheita e fermentação. Por conta disto, se faz presente uma conexão com o universo da cana-de-açúcar, dos engenhos, que se expressa de diversas formas no festejo, notadamente nos gestos dos caboclos-de-lança, cuja movimentação alude ao trabalho de corte de cana (sendo a lança associada à haste desta planta).