Cairo - A Irmandade Muçulmana do Egito afirmou ontem que o ataque a policiais egípcios na península do Sinai, na noite de anteontem, “pode ser atribuído” à Mossad, agência internacional do serviço secreto de Israel. Para os islâmicos, a intenção do órgão israelense é desestabilizar o governo de Mohammed Mursi.
Em comunicado, a entidade, a que o presidente pertence, afirmou que os agentes do Estado judeu tentam abortar a revolução iniciada com a queda do ex-ditador Hosni Mubarak, em 2011, e que “é imperativo rever as cláusulas” do acordo entre Egito e Israel.
“Este crime pode ser atribuído à Mossad, que está tentando abortar a revolução desde o seu início e a prova disso é que deu instruções aos cidadãos sionistas para abandonar o Sinai dias atrás”.
“Isso chama atenção ao fato de que o Sinai não está suficientemente protegido, o que faz imperativo que revisemos as cláusulas do acordo entre nós e a entidade sionista”.
Governo fala em infiéis
O Egito chamou de “infiéis” os atiradores que mataram 16 policiais perto da fronteira com Israel, num incidente que abalou as relações do Cairo com Israel e com os palestinos.
Um funcionário do governo egípcio disse que “elementos jihadistas” (combatentes islamistas)se infiltraram da Faixa de Gaza para o Egito antes de realizarem o ataque contra um posto de fronteira. Eles então furtaram dois veículos blindados e tentaram invadir Israel, mas foram mortos por tiros das forças israelenses.
Israel
O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse que oito militantes morreram no ataque, e acrescentou que o incidente deve servir como um “toque de alerta” para o Egito, a quem Barak há tempos acusa de estar perdendo o controle sobre a desértica península do Sinai.