08 de julho de 2026
Geral

Bauru participa de ?robô inspetor?

Bruna Dias com Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Mais uma vez, Bauru é referência quando o assunto é robôs. Uma parceria entre a Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru (FEB) e a AES Tietê, através de um programa de incentivo para projetos de pesquisa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), resultou na criação de um robô minissubmarino com capacidade de identificar anormalidades em equipamentos de usinas hidrelétricas.

A metodologia de movimentação e imagens captadas pelo eletrônico é inovadora.

A ideia de criar algo que facilitasse o trabalho de identificação de fissuras, trincas e outros problemas nas turbinas surgiu em 2006. No entanto, o projeto em si foi aprovado há 2 anos. O protótipo ROV (em inglês, veículo não tripulado) foi importado dos Estados Unidos e já é usado em diversos países, inclusive o Brasil, para exploração de petróleo. (leia mais abaixo)

Duas características do projeto o destacam no cenário nacional e, quem sabe até internacional: a metodologia do robô entrar na saída de água das turbinas da usina hidrelétrica e a qualidade do processamento de imagens em tempo real.

“O projeto foi proposto em 2006 e aprovado há 2 anos. Importamos o minissubmarino dos Estados Unidos e fizemos as nossas adaptações. Trabalharam nele seis pessoas entre eles os professores José Eduardo Castanho e Paulo Roberto de Aguiar, além de alunos bolsistas”, contou Rogério Thomazella, professor e pesquisador em Bauru.

Para conseguir chegar ao resultado esperado, o robô recebeu três câmeras especiais [duas na parte frontal e uma na parte traseira], iluminação e teve o seu peso readequado para a função. O ROV tem alto poder de navegação e observação à distância, com capacidade de deslocamento de aproximadamente 300m.

 

Custo benefício

O investimento de R$ 1 milhão feito pela AES Tietê na compra e confecção de todo esse equipamento resulta na dispensa de contratação de mergulhadores, que faziam essa análise em um tempo limite.

“Tínhamos que contratar mergulhadores especialistas que nem sempre estavam disponíveis, porque são poucos. Quanto mais turbina parada, pior é para a empresa e toda vez que uma inspeção era realizada, tínhamos que parar o equipamento por muito tempo para que o mergulhador fizesse o seu trabalho. Agora o serviço poderá ser realizado com maior velocidade”, enfatizou Ítalo Freitas, diretor de operação e manutenção da AES Tietê.


Continuidade

Inicialmente, o ROV fará um trabalho de identificação de problemas, mas o projeto não para por aí. Uma segunda fase de aprimoramento deste trabalho já é prevista pela AES Tietê. “Esse projeto seguirá para uma segunda fase. Queremos que sejam colocados mais sensores e até um braço mecânico para que ele possa realizar os reparos também”, disse Ítalo Freitas, da AES Tietê.

A possibilidade é confirmada pelo professor e pesquisador Rogério Thomazella. “Um braço mecânico é um estudo para o futuro, assim o ROV poderá também fazer os reparos e substituir o mergulhador em algumas situações. Mas isso ainda é para o futuro”, ponderou.


Unidades de energia

O grupo de energia AES Tietê possui 9 usinas hidrelétricas (sendo quatro no Interior: Boraceia, Barra Bonita, Ibitinga, Promissão) e 8 pequenas centrais hidrelétricas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. A empresa afirma ter encerrado o segundo trimestre de 2012 com investimentos de R$ 20,1 milhões  destinados, principalmente, à modernização das usinas Nova Avanhandava e Ibitinga.

O total de investimentos previstos até o final do ano se mantém em R$ 174,1 milhões. Esse montante será direcionado a cinco usinas, inclusive de Ibitinga.


Mais robôs

Em setembro do ano passado, o JC noticiou a criação do “robô poeta” batizado de “I, Hamlet” - referência à obra “Eu, Robô” -, que foi desenvolvido por uma equipe de vários pesquisadores da Unesp de Bauru. O androide pesa pouco menos de 50 quilos, é capaz de declamar oito textos da peça Hamlet, do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616), e até atuar.