Uma vida dedicada ao direito. Além de praticar a advocacia, também ensinava os meandros jurídicos aos alunos. É assim que Maria Isabel de Jesus Costa Canellas deve ser lembrada pelos familiares e amigos. Na madrugada de ontem, ela foi atropelada e morreu na rodovia Marechal Rondon.
A Polícia Civil vai investigar as circunstâncias em que o acidente ocorreu. É o segundo caso de atropelamento com morte (e sem socorro) em menos de 48 horas.
De acordo com informações da Polícia Rodoviária, a professora e advogada teria sido atingida 500 metros à frente do quilômetro 333 da rodovia por vários veículos. Nenhum motorista parou.
A hipótese mais provável é de que tenha sido atropelada primeiramente por um caminhão. A Polícia Civil irá apurar agora o que Maria Isabel Canellas estava fazendo no local do acidente.
Por pedidos dos familiares, o boletim de ocorrência (BO) do caso não foi divulgado à imprensa.
O carro da vítima, um Golf prata, foi encontrado bem próximo ao corpo. O veículo estava estacionado na intersecção da rodovia Marechal Rondon com a via marginal. A chave estava na ignição e as quatro janelas, abertas.
Segundo o que foi apurado pelo JC, a advogada e professora, ainda trajando pijama, saiu de sua residência por volta das 4h30 da madrugada. Cerca de uma hora e meia depois, a Polícia Rodoviária recebeu o chamado informando o atropelamento.
Quando os policiais chegaram ao local, a mulher já estava morta. A identificação foi realizada por meio dos documentos que estavam próximos ao corpo. A Polícia Científica foi acionada e realizou a perícia técnica no local do atropelamento e no carro da vítima.
Por conta da área em que o acidente ocorreu, ainda não se definiu se é o 3.º ou o 4.º Distrito Policial (DP) que irá apurar o caso. Mário Henrique Ramos, o delegado plantonista que registrou o atropelamento, entretanto, adiantou a dificuldade da investigação. “É algo complicado. Se for um veículo de grande porte, como aparenta, pode não ter ficado danificado. Assim, por exemplo, dependemos de uma denúncia”, conclui.
O velório de Maria Isabel Canellas começou ontem no Terra Branca, às 14h. Bastante abalados, os familiares da vítima não quiseram conversar com a reportagem. O enterro ocorre hoje, às 9h, no Cemitério Jardim do Ipê.
Licenciada, professora era vista como exemplo
A notícia do atropelamento da professora Maria Isabel de Jesus Costa Canellas deixou os conhecidos muito abalados.
O fato repercutiu, principalmente, na Instituição Toledo de Ensino (ITE), onde ela se formou em Direito e dava aulas há mais de 20 anos.
O coordenador do Conselho Gestor da ITE, Antônio Eufrásio de Toledo Filho, afirma que ela era uma docente extremamente aplicada. “Era uma profissional incrível. Um exemplo de dedicação. Formou-se aqui e já se destacava naquela época. Depois, fez os cursos de pós-graduação necessários e virou professora”, conta.
Há aproximadamente dois anos, porém, ela pediu licença da instituição, situação em que se encontrava até os dias atuais. “Por motivos particulares, ela estava de licença da ITE. A perda dela é algo lastimável, tanto como pessoa quanto profissional”, lamenta Antônio Eufrásio de Toledo Filho.
No caso de Jaqueline, Polícia Civil ainda busca identificar o motorista
Em outro caso de atropelamento recente que comoveu Bauru, a Polícia Civil trabalha para chegar à identificação do motorista que matou Jaqueline de Lima Belo da Silva, 11 anos. Após atingir a criança com uma picape, o condutor também fugiu do local sem prestar socorro.
O acidente ocorreu na noite do último sábado no quilômetro cinco da rodovia Elias Miguel Maluf. A garota voltava de uma pescaria com o padrasto, irmãos e a mãe quando foi atingida por uma Saveiro prata, cujas letras das placas são DDZ. Por pouco, os outros familiares não foram atropelados também.
O caso foi encaminhado ao 1.º Distrito Policial (DP), onde as investigações se concentram em identificar o veículo e o motorista.
“Os investigadores estão cruzando alguns dados para tentar chegar nessa identificação. O ponto de partida está sendo realmente as letras parciais que foram anotadas”, conta o delegado Milton Bassoto Júnior, que responde interinamente pelo 1.º DP.
Ele ainda explica que o trabalho visa ainda coletar informações junto a oficinas mecânicas e funilarias.
“Como houve a colisão, podemos encontrar pistas nesses estabelecimentos. A população pode ajudar com denúncias por meio do telefone 197 ou do 181. Nos dois casos, o sigilo da fonte é garantido”, complementa o delegado.