Os vereadores demonstraram pouco interesse no projeto do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) que transforma, em mais um Distrito Industrial, toda a área dos Lotes Urbanizados, que fica próxima do Mary Dota e tem 1,1 milhão de quilômetros quadrados. A falta de defesa da proposta pela base governista fortaleceu o discurso da oposição que atribuiu a interesses eleitorais a iniciativa tardia do Poder Executivo municipal. De qualquer forma, a estratégia da situação seria exatamente de não “dar bola” para as críticas, evitando alimentar o fogo cruzado.
Rival de Agostinho na corrida pela Prefeitura de Bauru, a vereadora Chiara Ranieri (DEM) vem, nas últimas semanas, apontando justamente a inércia do governo na disponibilização de áreas industriais, ocasionando uma fila de 80 empresas que esperam para se instalarem na cidade. “Sabemos porque isso está sendo feito agora”, afirmou, referindo-se ao momento eleitoral.
A demista criticou ainda o fato de questões importantes ainda não terem sido discutidas e avaliadas pela equipe de Rodrigo, como, por exemplo, o levantamento e orçamento das obras necessárias para a recuperação da infraestrutura já deteriorada nos 250 mil metros quadrados já urbanizados.
Para Chiara, a administração municipal escolheu não investir no desenvolvimento industrial de Bauru. Ela voltou criticar a compra do prédio da Estação Ferroviária por R$ 6 milhões, que não foi recuperado para impulsionar a revitalização do Centro da cidade.
“Com esse dinheiro, o prefeito poderia ter comprado uma área de 157 alqueires, mas ele não quis. Essa demanda é antiga Além disso, até agora, não temos retorno dos recursos aplicados na estação, que continua servindo de abrigo para andarilhos e traficantes”, afirmou Chiara.
Principal crítico da falta de áreas industriais no município, Marcelo Borges (PSDB) pediu aos colegas para que aprovem o projeto com rapidez, apesar da lentidão do prefeito em enviar a proposta. “É triste ver a fila de empresas e, pior ainda, outras que estão saindo daqui para crescerem”, pontuou.
Segundo o tucano, a proposta em implantar o quarto distrito industrial nos lotes urbanizadas é antiga e partiu dele, em 2008, quando tentava, no PSDB, viabilizar uma candidatura à prefeitura, mas foi preterido por Caio Coube.
No entanto, Rodrigo já havia anunciado este interesse em setembro do ano passado, mas não tomou medidas práticas neste sentido. A proposta do governo é que a área já urbanizada receba primeiramente as empresas de pequeno porte, que precisem, no máximo, de terrenos com 3 mil metros quadrados. De acordo com o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, metade das empresas que aguardam áreas em Bauru se enquadra nessa característica.