Levantava eu às 5 da manhã, tomava meu leite, preparado pela minha mãe, pegava minha magrela e ia eu para a rua Xingu, atual sede do JC. Lá, me reunia com os garotos que, como eu, com suas magrelas (como chamávamos nossas bicicletas), aguardava a fase final de encadernação para entregarmos o jornal, cada um no seu setor. O meu era o 15. Até hoje, quando encontro alguém que foi meu companheiro de entrega, sou chamado de 15, como eu também o chamo pelo número correspondente ao setor que ele entregava.
Meu primeiro emprego. E pelas ladeiras da Vila Quaggio, de onde eu visualizava o pátio e as oficinas da RFSA (Noroeste do Brasil), lá ia eu, todo feliz, a cumprir meu papel e ganhar meu dinheirinho para pagar as prestações da minha bicicleta Caloi, cuja entrada da compra foi feita pelo meu pai, funcionário da ferrovia, na casa Tayano, que ficava na rua 1º de Agosto. À tarde, ia para escola sem achar isso algo excepcional, como talvez as crianças de hoje achariam, pois nasceram em outro mundo (melhor ou pior?). Para mim, essa experiência me ensinou muito. E como era bom ler o JC depois de acabar de entregar. O primeiro pagamento, a compra do meu primeiro LP (Long Play) na discoteca de Bauru, Viagem ao Centro da Terra, do Rick Wakeman.
Penso que poderia escrever um livro das minhas aventuras como entregador do JC, mas muito me alegra e me orgulho de ter podido fazer parte desses 45 anos desse jornal que, sem duvida, é o melhor jornal do nosso mundo. Feliz aniversário, JC!
Demerval Assis da Silva