A demanda especificamente de Bauru para internações exige pelo menos 20 vagas diárias para urgência e emergência. O dado preliminar é do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que agendou data para falar com o Estado sobre os hospitais. Mas ele adverte que o referencial não é suficiente para resolver o gargalo via Pronto-Socorro Central (PS).
“Apenas para internações de pacientes de Bauru é preciso hoje pelo menos 20 vagas ao dia no sistema hospitalar. Isso é pouco para uma população de quase 400 mil habitantes, mas resolveria o problema atual”, aponta o prefeito. Esta é a prioridade que será colocada à mesa pelo prefeito junto ao secretário estadual de Saúde, Giovani Guido Cerri, em reunião já confirmada pelo deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) agendada para o próximo dia 14 de agosto, 16h, em São Paulo. “O deputado Tobias me ligou confirmando a agenda que contará, além dele e do secretário estadual Cerri, com o secretário Fernando Monti e a diretora Regional de Saúde, Doroti Conceição. Vamos discutir a demanda por internação hospitalar em Bauru”, informa.
Segundo o prefeito, a administração pontua três questões essenciais. “Não há como negar o déficit de leito hospitalar em Bauru para média e alta complexidade. Esta é uma questão que o Estado tem de resolver no tempo e não é da noite para o dia. Acredito que a opção imediata deles é transformar o Hospital do Centrinho em novo Hospital Geral”, exemplifica Agostinho.
Seguido a isso, o chefe do Executivo local menciona a necessidade da direção do Pronto-Socorro controlar as vagas de internação por ser porta do sistema .
“O médico que está no Pronto-Socorro é que sabe o que é urgência ou não e não o médico e o atendente da Central de Vagas em São Paulo. Esta regulação do PS tem de ficar com a prefeitura. Se quiserem que a gente gerencie a central regional, aceitamos discutir também”, reforça. O deputado Pedro Tobias vê entrave nessa questão (leia box ao lado).
Por fim, Agostinho criticou a discussão “eleitoral” em torno da deficiência do sistema de saúde. “O Gazzetta e a Chiara estão falando em alugar leito. Internação não é arrumar quarto de hotel. A maca no Pronto-Socorro então é cama tanto quanto no quarto. Mas não é esse o problema. Tem de ter a vaga com equipamentos de UTI, médico, atendimento, remédios, toda a estrutura. E isso não tem”, finaliza.
Discussão técnica
O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) também vai participar do encontro, agendado por ele, com a Secretaria Estadual da Saúde. O tucano comentou que será a oportunidade para que o município discuta, sem demagogia, os problemas referentes à Saúde, especificamente à estrutura hospitalar.
Segundo o parlamentar, se a prefeitura quiser, de fato, assumir a gestão dos hospitais e tiver condições para isso, o Estado poderá repassar a tarefa. “Não é só jogar pedras, pois a responsabilidade pela saúde na cidade também é do prefeito”, afirma.
Tobias, porém, diz que a intenção do prefeito em ter o controle das vagas de leitos hospitalares é inviável, principalmente em razão do caráter regional do Hospital Estadual. “Por que Bauru e não Agudos?”, questionou.
Atualmente, o controle é feito pela Central Reguladora de Vagas, que fica na capital do Estado. Mas o prefeito insiste em ter o controle pelo menos das vagas via Hospital de Base.
Esclarecimento da Saúde
Sobre a matéria “Pronto-Socorro Central registra mais mortes no final de semana”, publicada no último dia 6 de agosto pelo JC, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru informa que o pedido do Pronto-Socorro Central de Bauru para uma vaga de UTI ao paciente Hércules dos Santos foi realizado no dia 5 de agosto, por volta das 14h, e atendido duas horas depois, às 16h, com oferta de vaga no Hospital de Base.
Com relação ao caso da Ângela Maria dos Santos, a assessoria de imprensa aponta que a paciente estava em tratamento no Hospital de Base e foi transferida para o Hospital Estadual no dia 3 de agosto.