08 de julho de 2026
Regional

Entidade pede ajuda em B. Bonita

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Barra Bonita - “Eu não quero mais racionar ração! Quero que o trabalho flua como tem de ser e que as doações cheguem onde devem chegar”. Esta frase é apenas um trecho do apelo divulgado em uma página de relacionamentos na Internet por voluntários de entidade de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) que abriga mais de 300 cães e 150 gatos abandonados, perdidos ou vítimas de maus-tratos.

No pedido de ajuda, os chamados protetores, que integram a Associação dos Amigos de São Francisco de Assis (AASFA), contam que os recursos, sempre suficientes para a manutenção dos trabalhos, foram se tornando escassos à medida em que o número de animais resgatados e abrigados começou a aumentar. Com isso, a ração passou a ser racionada e o grupo sentiu que havia chegado a hora de buscar auxílio.

Segundo Marcelo Almeida Witt, um dos voluntários, manter os mais de 300 cachorros e 150 gatos nos cerca de 15 abrigos, núcleos e residências de protetores resulta numa despesa mensal de aproximadamente R$ 10 mil, incluindo os gastos com veterinários. Parte das necessidades é suprida com ração e medicamentos doados pela Prefeitura de Barra Bonita. O restante depende da boa vontade dos que estão dispostos a colaborar com a causa animal.

Além de Barra Bonita, os voluntários atuam em Igaraçu do Tietê. “A gente atende a população, resgata os animais que estão precisando ser resgatados e encaminha para castração e depois para adoção”, explica. “Quando a gente vê que o animal não está legal naquela circunstância, a gente tenta encaminhá-lo. São animais perdidos, animais atropelados, animais assustados e fêmeas que precisam ser castradas”.

 

Histórias

A paixão pelos animais fez com que Elizabeth Cavalcanti também se tornasse voluntária e transformasse sua residência em uma espécie de ‘hotel’ para os pets. Atualmente, ela abriga 13 cães e 10 gatos, que foram abandonados ou vítimas de maus-tratos. “Fora os gatos que vêm da vizinhança toda comer”, brinca. “A gente não tem um canil. O que existem são essas casas temporárias. A gente acolhe tanto filhote como adulto, quem estiver mais necessitando de cuidado”, explica.

Entre as histórias tristes que a protetora já acompanhou está a de um gato que perdeu um dos olhos após ser agredido e a de uma gata que ficou completamente cega depois de ser envenenada. O primeiro, apesar dos cuidados, acabou morrendo. Já a gata foi adotada por Elizabeth e, hoje, é um dos xodós da família. “Ela não come sozinha. Eu tenho que abrir a boca dela e pôr ração com uma colher”, conta.

Mas o trabalho dos voluntários não se resume a resgatar animais abandonados ou vítimas de violência. Em muitas situações, eles também promovem reencontros. “No domingo (5), um senhor me ligou para falar de pastor belga que estava tendo crise de convulsão. Minha filha foi resgatá-lo com o carro, trouxe para cá, eu liguei para a rádio imediatamente e, depois de umas duas horas, o dono apareceu”, relata. “Ele fugiu e, como já tem dez anos, não conseguiu voltar sozinho e ficou perdido”.

Outro caso de final feliz vivenciado pela protetora diz respeito a um gato, ainda filhote, que acabou fugindo de casa. A sua dona, que está em tratamento contra um câncer, ficou desesperada e, por meio da associação, acabou encontrando o animal. “Esse gatinho estava ajudando muito ela na recuperação. A irmã dela pediu ajuda e nós encontramos ele”, revela. “É bacana, é gratificante para a gente, apesar da gente ver muito sofrimento”.

 

Doações

Quem puder contribuir com a manutenção dos trabalhos da Associação dos Amigos de São Francisco de Assis (AASFA) por meio da doação de rações para cães e gatos, tapetes velhos, remédios, vermífugos e vacina V10 (que previne a cinomose e a parvovirose, entre outras doenças), pode ligar para (14) 3642-3391 (Elizabeth) ou (14) 3641-0097 e (14) 9185-0930 (Marcelo).