09 de julho de 2026
Regional

Lençóis vai receber gás canalizado

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Lençóis Paulista - As obras de expansão de gasoduto até Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) estão a todo vapor. A previsão da Gas Brasiliano, empresa ligada à Petrobras, é de cerca de 100 mil m3/dia de gás natural serem distribuídos entre setembro e novembro aos dois municípios aonde estão dois dos principais clientes: as empresas Lwart em Lençóis e Duratex em Agudos.

A rede de gás tem 807 km distribuída em Araçatuba, Araraquara, Bauru, Descalvado, Ibitinga, Itápolis, Lins, Marília, Matão, Pederneiras, Porto Ferreira, Ribeirão Preto, São Carlos e Valparaíso. Atualmente são atendidos 10 mil consumidores, comercializando mais de 23 milhões de m2 de gás natural mensalmente.

Na região de Bauru tem instalada em Iacanga um City Gate, ponto de transferência da custódia do gás da Petrobras para a Gas Brasiliano. A previsão é a distribuição se iniciar em 2013 em torno de 180 mil m3/dia, segundo nota da assessoria de imprensa do diretor presidente da Gas Brasiliano, Walter Fernando Piazza Júnior. A empresa foi comprada de um grupo italiano pela Petrobras no ano passado.

A instalação dos dutos vem sendo executada nas últimas semanas próximo da rodovia Marechal Rondon (SP-300) e já passou por Agudos e Borebi.

 

Demanda

O diretor regional do Centro das Industrial do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Domingos Malandrino, afirma que a demanda pelo uso de gás natural é maior  nas duas cidades pelo perfil das empresas instaladas lá. “Pelo tipo de atividade da Duratex e Lwart necessitam de fornos funcionando 24 horas por dia. A demanda de gás será maior nessas cidades do que em Bauru”, explica Malandrino.

Em Bauru, a Gas Brasiliano já possui tubulação de 12 quilômetros de comprimento interligando os distritos industriais 1 e 2, além de uma extensão da rede do Distrito 1 em direção ao Jardim Contorno. Atualmente em Bauru as principais consumidoras de gás natural são as indústrias Kraft Foods, Ajax, Tudor, Textil Everest, Sukest, J. Shayeb e Polimáquinas.

Malandrino disse que o gás natural por tubo é mais vantajoso economicamente para o setor industrial. Segundo o diretor do Ciesp, o gás entregue por caminhões não tem a mesma vantagem econômica do canalizado. O combustível chegava prensado em gás líquido transportado por caminhão e depois tinha que ser transferido a uma central para ser encaminhado à indústria. “Essa movimentação do produto aumentava o custo e gerava menos poder calorífico do que o Gás Líquido de Petróleo (GLP)”, disse o diretor do Ciesp.

O gás natural canalizado por ser um sistema permanente não necessita de ser entregue e não tem perda residual do combustível pago, como acontece em botijões, porque se paga pelo consumo. Malandrino ressalta que é uma pena que o consumo de gás natural não seja disseminado para pequenas empresas e às cidades. “Uma padaria e um condomínio compensaria a utilização desse combustível. Em cidades como Araraquara e Ribeirão Preto o gás chega ao fogão, ao aquecedor de água e em condomínios. Falta investimento na ramificação das sub estações”.

Malandrino ressalta que a expansão dos dutos até Lençóis beneficia toda a região de Bauru. “É mais um item de infraestrutura, o que acaba sendo atrativo quando uma empresa de grande porte pensar em se instalar na região. A rede de gás natural é um quesito positivo para atrair outro tipo de perfil de empresa”, declara o diretor do Ciesp.

 

Empresa da Petrobras

A concessionária Gas Brasiliano foi adquirida pela Petrobras em maio do ano passado por US$ 250 milhões, porém a estatal assumiu definitivamente a concessão em agosto de 2011, quando foram aprovadas as autorizações pelos órgãos técnicos do governo do Estado.  A meta, segundo o anunciado, é até 2015, distribuir por dia 2,45 milhões de metros cúbicos de gás ante os 1,25 milhão das estimativas oficiais de quando assinou o termo de compra da empresa dos italianos da Eni Spa no início do ano passado.

A Gas Brasiliano possui a concessão das atividades na região centro-oeste, em uma área que cobre 375 municípios e atende a demanda industrial, comercial, residencial e do setor de transportes da região.

A concessão tem um posicionamento estratégico de interconexão com o Gasbol, o gasoduto pelo qual nos chegam até 17 milhões de metros cúbicos de gás boliviano.

O contrato de concessão da empresa teve início em dezembro de 1999 e tem previsão de durar por pelo menos 30 anos, podendo ser estendido por mais 20 anos. O potencial, segundo dados da empresa, é chegar a 1,5 milhão de metros cúbicos de gás diários.

O diretor presidente da Gas Brasiliano, Walter Fernando Piazza Júnior, afirmou ao JC que o gás natural é mais vantajoso do que outros tipos de combustíveis. “É mais leve que o ar, não acumula no ambiente em caso de vazamento”, diz. Ele afirmou por meio de e-mail que a distribuição por duto é mais prática por não necessitar de transporte, troca ou armazenagem. “Reduz, sensivelmente, a emissão de poluentes, pois os produtos resultantes da combustão são inodoros, isentos de óxido de enxofre e partículas de fuligem”.