09 de julho de 2026
Geral

Maus-tratos a idosos: 2 por semana

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Os idosos já somam mais de 45 mil pessoas em Bauru, conquistaram espaço dentro das políticas públicas e melhor qualidade de vida por conta dos avanços científicos, mas, mesmo assim, ainda continuam fazendo parte de uma cruel realidade. A cada semana, pelo menos dois deles são alvo de agressão ou maus-tratos na cidade.

Entre janeiro e julho, 62 casos foram registrados na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), sendo que, somente em julho, foram 18 ocorrências. A estatística, no entanto, considera apenas vítimas do sexo feminino, já que os casos envolvendo homens ficam sob responsabilidade dos quatro distritos policiais da cidade.

Na maioria das vezes, as denúncias chegam ao conhecimento da Polícia Civil por meio da própria vítima, mas também colaboram vizinhos, a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), o Conselho Municipal da Pessoa Idosa (Comupi) e a Polícia Militar (PM). Ontem, quem denunciou uma suspeita de maus-tratos foi a equipe multidisciplinar da Unidade de Saúde da Família da Vila São Paulo, que atende periodicamente uma mulher de 76 anos, moradora do bairro Pousada da Esperança 1.

De acordo com o relato dos profissionais, a idosa, que não consegue se locomover sozinha, estaria sendo negligenciada quanto à alimentação, higiene pessoal e do ambiente, além de ter sido encontrada por várias vezes sozinha na residência. A família nega a acusação (leia mais abaixo).

O caso deverá ser encaminhado à DDM. Segundo a delegada Priscila Bianchini de Assunção Alferes, este tipo de violência contra pessoas com mais de 60 anos é o mais difícil de ser detectado e o registrado em menor número na unidade. “Esta falta de cuidados sistemática, que caracteriza os maus-tratos, atinge mais os idosos acamados. Muitos não conseguem se locomover sozinhos ou nem mesmo falam. Então, é preciso que uma terceira pessoa perceba para denunciar”, frisa.

 

Ameaças e lesões

Os registros mais comuns envolvem ameaças e lesões corporais e, nestes casos, o ambiente doméstico é o principal cenário das agressões. “Muitas vezes, o agressor é o próprio filho, usuário de drogas, que ameaça ou bate na mãe por dinheiro”, revela, enumerando ainda funcionários de asilos e cuidadores despreparados como eventuais autores das lesões ou de maus-tratos.

Assim que a ocorrência chega ao conhecimento da polícia ou do poder público, um inquérito é instaurado – quando se trata de violência doméstica, mesmo sem a manifestação da vontade da vítima – e as investigações tem início. Simultaneamente, a vítima passa a ser acompanhada pelos serviços da Sebes, que também monitora, preventivamente, os abrigos de Bauru, além de apurar denúncias em asilos e residências particulares.

Atualmente, a pasta recebe uma média de sete queixas por mês. “Assim que a notícia chega até nós, realizamos visitas e fazemos um levantamento para esclarecer os fatos. Se a agressão ocorre em âmbito doméstico, tentamos fortalecer os vínculos da família. Caso isso não seja possível, o idoso é encaminhado a um abrigo, além de receber todo o atendimento por meio do Creas (Centro de Referência Especializado da Assistência Social)”, relata a titular da Sebes, Darlene Tendolo.

No âmbito criminal, pessoas condenadas por maus-tratos a idosos podem ser punidas com pena de dois meses a um ano de detenção. Se o agressor provocar lesão leve, pode ficar de três meses a um ano preso e, se provocar lesão grave, de dois a oito anos.

 

A quem recorrer

Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) - rua Araújo Leite, 15-49, Centro. Telefone: (14) 3226-3088

Sebes - (14) 3227-7684 ou 3234-1090

Creas - (14) 3227-7533

Disque-denúncia - 181 (anônimo)

Polícia Militar - 190

 

República de Idosos

Dentro de dois meses, Bauru deve passar a contar com um novo local para abrigar pessoas idosas. Trata-se de uma casa que receberá o nome de “República de Idosos”, onde serão acolhidos seis idosos que tenham autonomia suficiente para viver sozinhos.

“Funcionará como uma república de estudantes, mas com recursos do município. Daremos todo o suporte em termos de aluguel, manutenção do imóvel, alimentação e higiene pessoal básica”, adianta Darlene Tendolo, titular da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), acrescentando que os moradores também serão acompanhados por uma equipe multidisciplinar da pasta.

Serão escolhidos para viver na república idosos que tenham perdido vínculos com a família, mas que não tenham se adaptado bem à vida em abrigos maiores. “Eles terão todas as condições de conforto e segurança, ao mesmo tempo em que terão garantidas sua individualidade e privacidade”, finaliza.