09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Como o mensalão poderia ter sido evitado


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Esse tal de mensalão é mesmo instigante. O dia desses chegou e tentam se safar como podem. Que atire a primeira pedra quem no mundo político não cometeu algo parecido, essa é minha provocação. Ouço dizer que nesse torrão todos são honestos até serem pegos com a mão na botija ou os que ainda o são é pela absoluta falta de uma vantajosa oportunidade. Desacredito disso, quando utilizado dessa forma generalizada, afinal, sabemos ser toda unanimidade burra. Ainda bem, concluo, mas que existem uns mais iguais que os outros, isso existe.

Escrevo sobre prováveis lições ainda não tiradas desse mensalão. Sim, acreditem, elas existem. A maior delas reside no campo das hipóteses. É que tudo isso poderia ter sido evitado. Tenho comigo que nada disso estaria ocorrendo hoje se lá atrás quando da reeleição do presidente FHC em 1997, naquele escândalo da compra dos votos, votação da garantidora emenda parlamentar, a Justiça tivesse agido, denominado tudo talvez de "Mensalão da Reeleição", devassando tudo, nada disso estaria ocorrendo hoje. Eram muito mais de 40 os receptores e receptadores. Nada foi feito. Aquilo foi um derrame de dinheiro ainda sem explicações. Punição ocorrendo ali, o mau exemplo não seria perpetuado e os de hoje não estariam no banco dos réus. Sabe como são as coisas nesse país, um observa o outro, vê que dá certo e já quer fazer igual. Só não entendo dos motivos desses de hoje estarem sendo julgados e aqueles escaparem pela tangente.

Tivemos outros momentos para exemplar a corrupção. Na sequência daquilo, outro mau exemplo, quando permitiram que o "Mensalão do Valerioduto", como ficou conhecida a campanha de reeleição do governador Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. Listas e listas de beneficiados com dinheiro ilegal, inclusive com o nome de um atual ministro do STF. Tudo organizado pelo mesmo publicitário, o Marcos Valério. Percebam como só chegamos ao julgamento de hoje por não termos nos mobilizado desde lá atrás. De certa forma, tudo foi ensinado aos atuais mensaleiros e uns fazem mais certo, outros menos. Todos aqueles, FHC, aquele governador tucano e o Valério ainda não enfrentaram o STF por esses delitos. Inconcebível, não? Falhas da Justiça, não tão justa assim. E falta de mobilização de nossa parte.

E para terminar, outra elucubração. Fico maravilhado com toda a mobilização contrária aos atuais mensaleiros. Comovente a quantidade de cartas, manchetes e editoriais na imprensa. Todos muito preocupados em caçar os corruptos e clamando por justiça (ou justiçamento, sei lá). Registro aqui uma dessas entidades sempre alerta, mobilizada para o que der e vier e a uso como exemplo. A bauruense Batra, que dita normas para futuros vereadores, prega moralidade na coisa pública, cita caminhos, aponta erros, tudo num primor de dar gosto. Quero vê-la sempre assim, hoje e voltando seus olhos para os ainda não punidos, pois do contrário o ideal trilhado perderia o sentido. Prego a contínua mobilização deles e de todos os brasileiros, com o mesmo ímpeto para também julgar e punir severamente os bastiões da corrupção nos casos do Valerioduto Mineiro, da Privataria Tucana e no caso do envolvimento da revista Veja com o contraventor Cachoeira. Quero estar ao lado deles hoje e amanhã. E dessa forma faremos finalmente Justiça com "J" maiúsculo e minha bandeira não voltará tão cedo para o armário.

Henrique Perazzi de Aquino,