08 de julho de 2026
Nacional

Greve atrapalha a vida do brasileiro

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Uma reunião com todos os sindicatos de policiais federais do País decidiu ontem que a greve da categoria, que inclui Bauru, continua pelo menos até a próxima quarta-feira, quando está agendada uma reunião com o Ministério do Planejamento. A decisão ainda precisa ser ratificada em assembleias estaduais.

De acordo com a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), o governo já acenou que vai negociar com a categoria, mas não fez nenhuma proposta concreta.

A PF entrou em greve na última terça-feira, e desde então fez operações-padrão em aeroportos, portos e pontes nas fronteiras do País. A emissão de passaportes também está prejudicada. Além dos agentes, estão parados os escrivães e papiloscopistas.

A greve dos servidores federais ampliou ontem os transtornos à população provocando atrasos e muita irritação em portos, aeroportos, rodovias e avenidas importantes como a Rio Branco (Rio) e a Paulista (São Paulo).

No aeroporto de Cumbica (Guarulhos), operação-padrão de policiais federais gerou filas na imigração, dezenas de voos atrasados e passageiros deixados para trás. De tão extensas, as filas dos terminais 1 e 2, um de cada lado do aeroporto, separados por mais de um quilômetro, por pouco não se encontravam.

Quem estava lá teve que esperar, como o veterinário chileno Diego Sangeado, 55 anos, que perdeu o voo para Santiago e a conexão da Capital chilena para o México, onde trabalha. “Vou ter que procurar a companhia aérea. Não tem jeito.”

Um voo da TAP para Lisboa decolou sem 13 passageiros que estavam na fila. Outro da Lufthansa tinha 30 na fila a 10 minutos de sair. A partida foi adiada em meia hora.

Um garoto português de 13 anos, que passava férias no Brasil, só conseguiu embarcar porque a família pediu ajuda ao presidente do sindicato dos agentes federais.

A greve da PF também provocou filas em aeroportos de Brasília, Rio (Galeão), Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus.

A paralisação na PF também afeta a emissão de passaportes (veja quadro), que foi reduzida a quase zero em Estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará.

Em São Paulo, o sindicato estima que no Estado todo haja uma queda de 30% na emissão de passaportes, cuja média diária é de 2 mil.

De manhã, servidores fecharam as quatro pistas da avenida Rio Branco, uma das principais do centro do Rio, causando engarrafamento na avenida Presidente Vargas.

À tarde, grevistas interditaram as duas faixas da direita da avenida Paulista, em São Paulo, no sentido Consolação. “Isso é muito errado. Acho nada a ver eles atrasarem o nosso lado para adiantar o deles”, afirmou o técnico Marcos Rodrigues, 30 anos.

Protestos de policiais rodoviários federais provocaram congestionamentos em várias rodovias do País, como em Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina.


Portos

A paralisação de servidores da PF, Receita Federal e Anvisa afetou os principais portos, como o de Santos, Salvador, Suape (Pernambuco) e Rio, onde houve filas e atrasos na saída das embarcações e no desembarque das cargas.

Em Foz do Iguaçu (PR), o pátio do porto seco estava com lotação 25% superior à sua capacidade. Outros 1.000 caminhões estavam na fila.

Cansados de esperar (alguns estão há 20 dias na fila), caminhoneiros fecharam a rodovia que dá acesso ao Paraguai de madrugada e só a liberaram no início da tarde, depois que fiscais prometeram “trégua” até terça-feira.

“Falta habilidade política ao governo. Estamos sentados em cima de um barril de pólvora”, diz o empresário Mário Camargo, diretor Acifi (associação comercial local).


Investigações

A greve da PF atinge 70% do efetivo e afeta investigações, segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). “Inquéritos em andamento ou abertos recentemente estão parados”, diz Marcos Winki, presidente da entidade. Para Marcos Leôncio, presidente da associação de delegados da PF (que não aderiram ao movimento), investigações importantes não foram prejudicadas.

 

Correios

Bauru - O aumento de 3% no salário dos trabalhadores dos Correios, oferecido pela Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) na semana passada, foi votado e rejeitado em assembleia ontem, realizada pelo Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região (Sindecteb).

O encontro ocorreu em Bauru com a participação maciça de 100 sindicalizados. O presidente José Aparecido Gimenes Gandara defende um reajuste real, acima do índice inflacionário, e não descarta a possibilidade da categoria paralisar as atividades. “Os 3% oferecidos chegam a ser uma ofensa. Por isso, na semana que vem, estamos voltando à mesa de negociação em Brasília. A ECT não nos ofereceu nem a reposição inflacionária do último ano. Não podemos e não vamos aceitar isso”, ressalta.A categoria acumula desde o início da década de 90 perdas salariais de 47%.