08 de julho de 2026
Geral

Sandro: 7 testemunhas por 5 horas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo/Arquivo

Foto de arquivo mostra Sandro Fernandes chegando ao Fórum acompanhado de seu advogado em uma das audiências

O caso Sandro Fernandes parece estar chegando ao fim. Ontem, sete testemunhas arroladas pela defesa foram ouvidas no Fórum, durante cinco horas de depoimentos.

Após esta que deve ser a penúltima audiência sobre o caso que ganhou notoriedade na imprensa nacional, a previsão é de que uma nova oitiva seja realizada em breve para, então, o juiz Jaime Ferreira Menino decidir se condena ou absolve os réus.

O advogado bauruense Sandro Luiz Fernandes é acusado de molestar quatro pessoas de sua família, quando elas tinham entre 8 e 16 anos. Sua esposa, Fernanda Gomes Fernandes, é apontada como coautora dos crimes, acusada de omissão. Ele cumpre prisão domiciliar e ela está em liberdade provisória.

Ontem, o casal compareceu ao Fórum para acompanhar os depoimentos das testemunhas solicitadas por seus advogados, Ricardo Ponzetto e Hélio Marcos Pereira Junior. Entre elas, estavam a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Bianchini de Assunção Alferes, uma conselheira tutelar, as mães de Sandro e Fernanda, um irmão do réu e duas mulheres próximas da família.

Outras duas pessoas, ligadas ao Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), onde Sandro trabalhou como advogado, não compareceram à audiência e tiveram o depoimento remarcado para outra data, que ainda não foi divulgada.

 

Estratégia

Assim como ocorreu nas três primeiras oitivas, a imprensa não pôde permanecer no corredor do 1º andar, onde fica a sala de audiência da 2ª Vara Criminal. Sandro e Fernanda chegaram por volta das 13h30 e, às 14h, Priscila Alferes começou a ser ouvida.

A intimação da policial, que presidiu o inquérito que sustentou a tese de acusação, provocou estranheza e apreensão quanto à estratégia que seria utilizada pela defesa.

Questionado pela reportagem, o advogado Hélio Pereira Junior disse que não poderia se manifestar, já que o processo corre sob segredo de Justiça. Priscila também não quis se pronunciar.

Já Evandro Dias Joaquim, advogado da assistência de acusação, apenas adiantou que a delegada reafirmou o que foi apurado durante a fase de inquérito, com a finalidade de garantir subsídios para que o promotor Hércules Sormani Neto oferecesse a denúncia contra os acusados.

“Talvez tenha sido uma tentativa da defesa de fragilizar as provas do inquérito. Mas, se houve alguma falha na investigação policial, o que eu não acredito que tenha acontecido, ela não ultrapassa as barreiras do inquérito para se integrar à ação penal. O trabalho do inquérito e sua finalidade já foram encerrados”, afirma.

 

Confiantes

A segunda testemunha, uma conselheira tutelar que atuou no caso, começou a depor por volta das 15h30. Em seguida, foram ouvidos a mãe de Fernanda, a mãe de Sandro, o irmão do réu e duas mulheres conhecidas da família. Uma delas seria amiga de infância de uma das vítimas e seu depoimento era considerado fundamental para sustentar a argumentação dos advogados do casal Fernandes.

Conforme apurou o JC, os familiares de Sandro Fernandes permanecem confiantes na absolvição dos réus e esperam que o caso seja concluído o mais breve possível. Nas próximas semanas, uma nova audiência – provavelmente a última – deve ser realizada no Fórum, para que sejam ouvidas as últimas duas testemunhas de defesa, vinculadas ao Sinserm, além de Sandro e Fernanda.

Finalizada esta etapa, defesa e acusação terão dez dias para apresentar, por escrito, as alegações finais.

Em seguida, o juiz deve se debruçar sobre o processo e decidir pela absolvição ou condenação dos réus.

A expectativa é de que a sentença seja proferida dentro de dois ou três meses, caso tudo transcorrer conforme o esperado.

As primeiras audiências do caso Sandro Fernandes foram realizadas em março deste ano, quando as quatro vítimas foram ouvidas pelo juiz. Em maio, foi a vez de as testemunhas de acusação prestarem depoimento. No mês seguinte, ocorreu a terceira audiência, com a participação das primeiras dez testemunhas da defesa.