Músico e, nas horas vagas, empresário
Campeão de golf, vencedor nos tatames do judô, goleiro no futebol de salão. Adepto das quadras e piscinas do BTC (Bauru Tênis Clube), com raquetes e no polo aquático, já jogou vôlei, basquete e para tudo para assistir a um jogo, qualquer que seja. Esse é Ricado Amantini esportista. Para ele, não há melhor forma de demonstrar afeição do que as brincadeiras. “Gosto de ter alguém para xingar (risos). Minha esposa diz: ‘se o Ricardo lhe tratar muito bem é porque ele não gosta de você”, diverte-se. Arquiteto por formação, empresário por vocação (é diretor administrativo e financeiro do Grupo Amantini), pai, filho e marido por paixão. Esse é o Rolha (você se surpreenderá com a autoria do apelido) profissional, amigo e família que se apresenta, nos principais trechos da franca e bem humorada entrevista, a seguir.
Jornal da Cidade – Você tem na música um dos principais cartões de visita. Mas também gosta muito de esportes não é?
Ricardo Amantini - Sou fanático. Se tiver gente jogando xadrez ou badminton (peteca) eu assisto. Comecei no judô. Fui atleta dos oito até os 18 anos. Fui campeão regional, paulista, disputei muita coisa. Sempre fui muito pesado, muito gordinho (risos). Também pratiquei polo aquático dos 12 até os 18. Eu era tão fanático que fazia judô, polo aquático e tênis no BTC. Ia para o Luso treinar basquete e para o BAC jogar futebol.
JC – Foi jogando bola que ganhou o apelido?
Ricardo - Eu tive vários. O que ficou foi o Rolha, mas não foi colocado em esporte. Quem me apelidou foi o Mussum, dos Trapalhões. Meu pai (Cláudio, ex-presidente do Noroeste) trazia os Trapalhões para fazer show. Eu era moleque, tinha uns 10 ou 11 anos. Os Trapalhões estavam em casa e o Mussum bebendo pinga.
JC – Então a história do ‘mé’ do Mussum não é lenda...
Ricardo - É a pura verdade. Ele era chegado mesmo. Ele estava lá tomando o pingão dele e o meu irmão Renato tirava o copinho do Mussum, colocava em minha mão para que eu escondesse. Na terceira ou quarta vez que perdeu o copo, o cara ficou de olho e me viu. Eu já era ‘fortinho’ e ele me disse: ‘Ô Rolha pode devolver meu copo’. E ficou o apelido. Até no futebol de salão ficou o apelido. O gol no salão é menor. Então, o Rolha tampava o gol (risos).
JC – E isso mesmo praticando tanto esporte?
Ricardo - O peso sempre me acompanhou. E olha que eu saía da escola e ia até as 10h da noite treinando alguma coisa. Eu não tinha parada. Com vários esportes, eram várias turmas. Quando uma não te chamava para uma coisa, outra te chama para outra coisa.
JC – Não só jogava como treinava bastante?
Ricardo - Gosto de treinar e competir. Quem gosta de competir, gosta de treinar. Se você quer ser bom em alguma coisa, estuda aquilo, treina. Seja exaustivo até o ponto que aquilo te satisfaz. Senão você passa do ponto. Quando vejo que estou exagerando, faltando com minhas obrigações de empresário, marido ou pai, eu mesmo tento diminuir. Sou exagerado e quando gosto de algo vira paixão.
JC – Paixão não combina com razão...
Ricardo - Paixão mesmo, de verdade, temos que ter apenas pela mulher, filhos, pai e irmãos. Por eles eu faço qualquer loucura. Falo deles, fico até emocionado. Sou italiano. Italiano é uma desgraça, começa a lembrar da vida (diz com a voz embargada). Tenho tudo na vida porque tive pai, mãe e irmãos maravilhosos e são até hoje. Não me imagino sem essa turma ao meu lado.
JC – Música é outra paixão também, certo?
Ricardo - E música andava paralelo com essa coisa de esporte. Mas eu nunca tive tempo de fazer música nessa época, pois ainda tinha que estudar. Eu havia prometido para o meu pai que iria me formar em alguma coisa. Mas eu adorava música. Minha mãe ela cozinhava, eu pequeno ficava em casa, cantando.
JC – E o rock foi a primeira ou maior influência?
Ricardo - Na realidade, hoje tenho uma banda de rock and roll. Mas minha formação vem de ouvir minha mãe cantar boleros, samba, bossas. Eu cantava Altermar Dutra, Nelson Gonçalves, Aracy de Almeida. Fui nessa coisa de imitar minha mãe (Maria Helena, já falecida) cantando. E minha irmã Márcia (também falecida), que cuidou de mim como se fosse um filho, tocava piano. Gostava de imitar o Cauby (Peixoto), com 10, 11 anos. Na escola era zoação. Coloquei a música em standy by e continuei nos esportes.
JC – E os estudos, combinavam com tanto esporte?
Ricardo - Entrei na faculdade e parei com os esportes. Com um ano de faculdade nasceu o Ricardinho (primeiro dos três filhos) e casei com a Denise (Amantini, chef de cozinha e professora universitária). Não tinha tempo para nada. A faculdade de Arquitetura, em período integral, era puxada. Nessa fase fiquei ‘só’ jogando tênis e futebol à noite.
JC – E nada de música até então?
Ricardo - Aí veio o karaokê. Tinha o Shinohara (recanto), onde as pessoas iam comer e beber sucos e tinha um. Naquela época ganhei um videokê. Comecei a cantar em casa. Era uma beleza, para imitar era ótimo. Naquela época o equipamento não variava o tom. Ele colocava o tom original da música e comecei a imitar o Tim Maia. E ficou bom, com impostação de voz. Mas eu lá ia saber o que era impostação de voz. Era empírico, saía porque eu imitava.
JC – E a banda, cantar a noite, como começou isso?
Ricardo - Quem me deu o empurrão para começar a cantar na noite foi o Isaque Ferraz (músico). Eu frequentava bares, sempre ia vê-lo e adorava. Um dia ele me viu cantar Tim Maia em casa e em todo bar que tocava me chamava. Eu nunca tive frescura para público e, em todo lugar que ia, os músicos me convidavam para cantar, sempre Tim Maia.
JC – Aí embalou...
Ricardo - Nesse meio tempo eu comecei a achar chato cantar no meio de quem era profissional, estudou e eu lá sem o mínimo conhecimento. Não sou músico, sou palhaço de palco. Músico é quem estuda, eu me divirto. Mas, mesmo apenas para me divertir, preciso me sentir bem e para isso preciso saber que faço aquilo bem. Percebi que não poderia passar a vida inteira cantando Tim Maia. Procurei a Karen (Tavano, maestrina), que me deu aulas de canto por cinco anos. Leio partitura, cifras. Não toco nenhum instrumento, o único que toco é o coração das pessoas (risos).
JC – E o Tio Crush, como nasceu?
Ricardo - Após isso tudo surgiu a oportunidade de eu abrir um bar, o Alecrim, com o amigo Marcos Semensato. Eu tinha amizade com os músicos, vira e mexe dava canjas de Tim Maia, mas estava cansado de cantar só isso. O bar foi um sucesso, eu saí, ele (Marcos) continuou. Tempo depois, alguns amigos e eu conversávamos no Jeribá e tive a ‘triste’ ideia: ‘Poxa, tem gente que joga bola, e a gente gosta de música. Por que não nos reunirmos em casa, tomamos umas, contamos mentiras e fazemos música?’
JC – E o hobby engrenou para os shows?
Ricardo - Depois de um certo tempo, todo mundo evoluiu muito nos instrumentos e o Alceu (baterista, dono do Jeribá) falou ‘não dá mais para mim’. Aliás ele só não toca mais porque não estuda, safado (risos). O tempo passou, ensaiávamos, tocávamos e o Alceu um dia falou: ‘Vocês tem uma noite marcada no Jeribá’.
JC – A influência de casa era outra, mas a banda é de rock...
Ricardo - Gostava de rock, tinha essa influência, mas não cantava. A referência vem dos anos 80, a minha adolescência. Eu adorava e adoro. Quando o Alceu nos chamou para tocar: veio a dúvida, o que vamos fazer? Tive bar e sei o que a pessoa está afim de ouvir. Tiro isso por mim. Não saio de casa para ir a um lugar e ficar triste. Saio para me divertir. Um negócio que não tinha na região era uma banda que fazia, especificamente, rock and rol nacional dos anos 80.
JC – Qual era a época exata?
Ricardo - Estávamos em 2007, com o rock and roll voltando. A MTV fazendo especiais com bandas dos anos 80 em formatos acústicos. Paralamas, Capital Inicial, Lobão. O jovem começou a ouvir uma música que era lá de trás achando que era nova, em outra roupagem. Fizemos o inverso. O jovem sabem a letra, mas não sabem o peso real dessa música. Tocamos em versão elétrica. Nos primeiros shows da Tio Crush, a molecada cantava mais do que os velhos, da maneira que era tocada originalmente.
JC – E o nome da banda, como surgiu?
Ricardo - Como fazíamos uma coisa dos anos 80, pensamos em elementos marcantes da época. Nos ensaios, meus filhos normalmente chamam todos da banda de ‘tio’. ‘O tio, você está tocando mal pra caramba’. Nessas a gente lembrou daquela propaganda do Tio Sukita. O nome era bom, mas corríamos o risco de sermos vinculados ao velho babão do comercial (risos). Aí veio a ideia da Crush (refrigerante de laranja marcante dos anos 80). Mais velho que Fanta, melhor que Sukita (risos).
JC – A partir daí começaram os shows frequentes?
Ricardo - Tocamos em todos os bares de Bauru, somos adotados do Jeribá, onde sabemos todos os dias do ano quando tocamos. Nosso objetivo é tocar duas vezes por mês. Mais do que isso vira serviço e a ideia é diversão. Mas paixão é complicada. Chegou um certo momento que ficamos meio malucos, com meses em que tocávamos seis vezes. Em 2010, quando o Chico Molina (ex-Banda 48 Horas) estava lá, entramos nessa vibe.
JC – O hobby virou trabalho...
Ricardo - O ritmo estava muito forte. E aí, o que acontece? Mulher abre o bico, trabalho abre o bico... Começou a atrapalhar aquilo que não pode ser prejudicado. Aí caímos na real, de que estamos aí para nos divertir. A coisa começou a ficar mecânica. Então voltamos ao inicial, que é a diversão e que as pessoas se divirtam junto. Não fazemos um mesmo show sempre. Pode ser a mesma música, mas não o mesmo show.
JC – E se ‘livrou’ do Tim Maia?
Ricardo - Hoje faço com minha voz, do meu jeito. Lógico que algumas coisas tem que ser respeitadas. Vai fazer um Lobão, não tem como não dar aquele ataque de voz ‘eu ligo o rádio e blá blááá’’ (arrasta, imitando o autor de Vida Bandida). Há umas jogadinhas, mas são lembranças, não mais a procura de fazer igual.
JC – Assim, então, garantiram a diversão para todos?
Ricardo - A gente nunca quis tocar da melhor forma para você ouvir, sempre quisemos e queremos fazer o melhor palco. O segredo não é o que você ouve, mas o conjunto do ouvir, olhar e sentir. A gente erra e muda muito. Improvisamos, mas tudo de forma natural. O pessoal da banda tira sarro ‘o Rolha canta cada vez de um jeito’. Faça, em primeiro lugar, uma escola, uma arte e um esporte. Não importa o que. Mas faça uma arte e um esporte. Vai te fazer bem. Orientei meus filhos assim e acho que não fiz errado, todos são muito felizes. São comunicativos, se integram com as pessoas. É algo que tenho comigo e tenho para a vida inteira.
JC – Você tem o vínculo familiar muito forte, né?
Ricardo – Meus três filhos e meu amor querido a Denise. Minha mulher é sensacional, sem ela estou ferrado. Ela cuida das datas, comemorações e eu esqueço tudo. Ela é muito ligada nesse lance de reunir família. Após o falecimento de minha mãe, que costumava agregar todo mundo, a Denise pegou esse lado. Família italiana tem disso, a mãe é muito marcante.
Perfil
Nome: Ricardo Amantini
Idade: 45 anos
Local de nascimento: Bauru
Signo: Aquário
Esposa: Denise
Filhos: Ricardo, Rodrigo e Isabela
Hobby: Todos os novos que eu tiver vontade de fazer
Livro de cabeceira: Biografias
Filme preferido: Comédias românticas, qualquer uma
Estilo musical preferido: A boa música
Time: Noroeste e São Paulo
Para quem dá nota 10: Meu pai
Para quem dá nota 0: Partidos políticos, eles atrapalham a política e as pessoas.
E-mail: ricardo@amantini.com.br