Bernardinho pede tempo. Não está sozinho em suas orientações como técnico. Enquanto o treinador conversa com a rodinha de jogadores, Ricardinho está a seu lado gesticulando com Bruno, Leandro Vissotto passa informações para Wallace, e Giba mostra o posicionamento do bloqueio rival para Murilo.
A marca Bernardinho está novamente presente em uma final olímpica. Seu time enfrenta hoje, às 9h, a Rússia tentando repetir os feitos das seleções de Barcelona-92 e Atenas-04.
Ao longo de seus 11 anos à frente da seleção masculina, o treinador teve como mérito fazer boas transições entre uma geração e outra.
Ele promoveu renovações paulatinas e tornou o processo menos traumático para os novatos. Ao mesmo tempo, domou o ego dos veteranos, mostrando-lhes que poderiam ser tão importantes no banco quanto na quadra.
Foi assim nos Jogos de 2004, quando conduziu o time ao ouro. A geração de Maurício, Giovane e Nalbert passava o bastão para seus sucessores e novos protagonistas Ricardinho, Giba, Dante, Rodrigão e Escadinha.
Agora, cabe a esses cinco veteranos passarem o legado aos mais novos. Praticamente todos eles se despedem de Olimpíadas na final de hoje contra os russos. E, salvo Escadinha e Dante, os outros três verão grande parte da decisão do banco de reservas.
“Essa entrega desses caras (veteranos)...para que serve a experiência? Para um momento como esse. Nós estamos demonstrando que sabemos usar essa experiência no momento certo e decisivo”, afirmou Bernardinho.
Entre os veteranos, o mais elogiado por Bernardinho foi Ricardinho, 36 anos. Após a semifinal, o técnico louvou o levantador por sua atuação como mentor de Bruno.
“O Bruno fez uma das melhores partidas dele na Seleção contra a Itália. A presença do Ricardo cobrando e orientando o Bruno tem sido excepcional”, afirmou.
A relação harmoniosa entre Bruno e Ricardinho soa como alívio para Bernardinho. O treinador reconvocou o veterano neste ano após tê-lo afastado da Seleção por cinco anos - eles brigaram pouco antes do Pan de 2007.
Bernardinho busca hoje seu sexto pódio olímpico. Como jogador, foi prata em Los Angeles-1984.
Como técnico, tem dois bronzes pela seleção feminina (Atlanta-96 e Sydney-00), e uma prata (Pequim-08) e um ouro (Atenas-04) pela masculina.