08 de julho de 2026
Regional

Piratininga tem o ?karatê da paz?

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

Em Piratininga (13 quilômetros de Bauru), o esporte é usado para educar crianças e adolescentes dentro de uma igreja. O projeto, batizado de Karatê da Paz, existe há pouco mais de um ano e já agrega 85 participantes.

A situação é inusitada. As cadeiras que servem para o culto são afastadas para um canto do salão da igreja Vineyard  a fim de estender os tatames para as aulas de karatê, todas as terças, quintas e sextas-feiras para os treinos. A cesta do basquete fica ao lado do altar. 

O professor de karatê José Teodoro da Silva Neto, 24 anos, formado no Japão e que há dois está no Brasil, é quem “comanda” o treino de karatê.

“Temos meia hora de aula prática e o restante é só conversas. Procuro saber como eles estão na escola, como estão com a família, como está o relacionamento deles com o pai e a mãe. Aqui eles não vêm somente para aprender a dar socos e chutes.”

Para Neto, o karatê e a igreja têm muito em comum. “A disciplina, o respeito, a meditação. O karatê, as artes marciais de modo geral, não são só esporte, luta. O karatê é um estilo de vida. Eles aprendem o que é certo ou errado.”

São três turmas às terças, quintas e sextas-feiras, das 18h às 19h, das 19h às 20h e das 23h às 24h - para adolescentes que estudam até 22h30. “Eles vêm direto da escola para cá. Quem pode, paga, quem não pode, ganha bolsa. Ou vamos buscar um patrocínio se não conseguir. Eles vão fazer aula do mesmo jeito.”

Para incentivar os alunos, a igreja promove torneios. “Fizemos torneios, mas não teve ganhadores. Não incentivamos a competição. Eles precisam aprender que o importante é a participação. Os que foram melhores e aqueles que tiveram desempenho inferior, receberam medalhas.”

Neto frisa que durante as conversas, os alunos evoluem bastante. “Trabalhamos muito com essa questão de ser campeão. O que é ser campeão? O que é ser vice? E a importância de saber ganhar e perder. É a preparação psicológica.”

O espaço é democrático. Meninos e meninas são preparados para a vida, explica o professor. “Temos turmas de crianças e adolescentes. Dentre as crianças, a maioria é do sexo masculino. Com os adolescentes há uma inversão, com mais meninas.”

 

Projeto começou na campanha contra drogas e vem evoluindo

O pastor Milton Lucas é quem abriu a igreja para o esporte em Piratininga. Ele explica que tudo começou com uma campanha de combate ao uso de drogas. “Percebemos que a melhor maneira de afastá-los das drogas era a prática de esporte.  Começamos a desenvolver o karatê, o basquete e o futebol. O karatê é uma das principais modalidades. Ele interessou demais porque ensina princípios de obediência, de submissão aos líderes. Ensina a ganhar e perder. A respeitar o oponente, situações que os jovens têm dificuldade em lidar.”

No início, o atendimento era para quem podia pagar pelas aulas. Mas a situação mudou. “Atendemos todos aqueles que têm necessidades. Temos várias bolsas e um grupo de alunos da escola Eduardo Velho filho, no total de 18, que são bolsistas. Vamos começar a atender um grupo do Cras. São 20 meninos que estão em situação de vulnerabilidade. Eles vão ser atendidos gratuitamente para trabalhar a questão de obediência, respeito aos mais velhos,  como ferramenta para trazer para eles o princípio de cidadania.”

Para driblar as dificuldades, segundo o pastor, quando o aluno não tem uniforme, fica liberado de usá-lo. “Quando temos condições, nós doamos. Mas nem sempre é possível. Quando o aluno quer vir ao treino e não tem uniforme, doamos a camiseta do projeto.”

 

Em Bocaina, mais de 500 crianças participam de projetos esportivos

A Olimpíada é sempre um item motivador para quem pratica esportes. Ver a performance dos atletas e observar um caminho a ser seguido são as instruções dos professores de cada modalidade. Para o diretor de Juventude, Esporte e Lazer de Bocaina, José Carlos Garcia, as competições que envolvem atletas do mundo todo influenciam muito as crianças.

“Elas acompanham as competições pela televisão e   em muitos casos questionam sobre regras, erros, preparação. O jogador Neymar é o mais lembrado, até porque ocupa o topo de sua vida profissional. O Cielo, na natação, também é bastante citado.”

São 600 crianças inscritas no Projeto Atleta do Futuro que envolve uma parceria com o Sesi. “Eles se preparam para os campeonatos locais e regionais. Organizamos competições nos bairros, onde há praças esportivas. Temos várias escolinhas , futsal , futebol, atletismo , basquete , judô, natação e vôlei.”


Olimpíadas na visão das crianças

As crianças que participam de algum tipo de esporte foram espectadoras das competições das Olimpíadas de Londres, comenta o pastor Milton Lucas. “À medida em que a igreja passa a oferecer esporte, eles começam a se interessar mais pela prática. Eles passaram a identificar os atletas, a se interessarem pelos resultados. Eles se enxergam nas Olimpíadas, nos atletas. Esse período de  Olimpíadas tem servido de incentivo para a garotada.”  O professor de karatê José Teodoro da Silva Neto diz que procura explicar e incentivar seus alunos em época de Olimpíadas. “Os adolescentes têm mais conhecimento. Para as crianças, ainda é novidade. Então, procuro explicar as modalidades. Eles falam muito da corrida e do basquete. Eu fiz uma brincadeira com eles para que eles corressem e depois jogassem basquete.”


O que eles dizem....

Kayene Alana Tobias, 8 anos, pratica karatê em Piratininga. Durante as Olimpíadas, ela assistiu competições de natação, judô, esgrima, saltos. “Foi bem legal. Eu assisti com minha mãe.”  Bruna Almeida de Oliveira, 9 anos, pratica karatê. Para ela, o judô interessou mais. “Gostei muito das lutas, especialmente das mulheres. Vi também competições de atletismo.”


Infraestrutura esportiva

 Academia Municipal de Musculação no bairro José Tonon

– com aulas gratuitas

1. Ginásio de esportes Irmãos Angotti – centro

2. Quadra esportiva Clóvis Bacarin no bairro Xerxes Bartelotti

3. Quadra de areia de futebol society no bairro Vasco Marques

4. Campo de futebol society no bairro CECAP

5. Campo de futebol society Gerson Massafera, no Xerxes Bartelotti

6. Centro Esportivo Naomy Amaral, no centro

Até  fim do ano devem ser entregues....  

1. Quadra esportiva no bairro rural Jd. São Pedro (CDHU) 

2. Piscina no bairro rural Jd. São Pedro 

3. Quadra esportiva na rua José Sanches bairro Nova Bocaina 2

4. Pista de skate

na Nova Bocaina 2

 

Primeiro contato é com o futebol

Neymar está na boca do povo. Quando se fala em furebol, as crianças só enxergam o jogador como atleta. Poucos sabem o nome de medalhistas olímpicos e conhecem modalidades esportivas que não seja o futebol.

“Eu diria que tem vários aspectos envolvendo essa questão. O fato das crianças mencionarem só o  Neymar é próprio da cultura esportiva no Brasil. Aqui há um destaque muito grande para o futebol. Desde cedo, as crianças, ainda na escola, mantém contato com essa prática. Enquanto que outras modalidades, o primeiro contato ocorre fora da escola, com o agravante de em muitos casos não acontecerem. Além do aspecto cultural, tem as políticas voltadas para essa questão. No esporte como um todo, existe característica diferenciada em relação as  modalidades esportivas que fazem com que haja maior destaque para uma em relação a uma.”

Nas escolas, segundo o professor, é fácil perceber a desigualdade de tratamento de uma modalidade para outra. “Independente de a escola ser pública ou privada, a gente percebe que a prática do futebol é destacada. Esse aspecto contribui para que as crianças e adolescentes conheçam mais essa modalidade.”

 

Esporte tem cunho social em Pederneiras     

Na cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), o esporte é sinônimo de inclusão social, diz o diretor de Esporte e Lazer, Cesar Amaral Frezza. “Cem por cento dos nossos projetos esportivos são voltados para parte social, não trabalhamos com atletas de rendimento”, admite.

Segundo ele, o município oferece estrutura para algumas modalidades esportivas. Não há piscina. “Temos um ginásio de esportes onde a gente desenvolve os nossos projetos. Oferecemos basquete e futebol de salão. Nos três campos, desenvolvemos o futebol. Temos ainda capoeira, judô e karatê. Em breve, vamos ter mais um miniginásio.”  Os alunos do judô e karatê participam dos jogos da federação. “Participamos das competições federadas. O basquete participa da liga de Bauru e o futebol, a escolinha de futebol participa de torneios. Vamos participar dos jogos estaduais.”

Segundo o diretor, uma quadra poliesportiva está sendo construída na cidade. “Mais voltada a reabilitação, vai ter um centro de fisioterapia, tênis, campo de futebol sociaty. Os integrantes da 3ª idade vão utilizar também. Para a prática de atletismo, não há pista na cidade.” 

Para os atletas que se sobressaem, o município tem dois polos em Bauru para encaminhar os atletas. “No judô, mandamos para o Sesi/Bauru. No futebol, encaminhamos para a escolinha do Noroeste. Não temos olheiros. Os próprios professores avaliam os alunos. Trabalhamos com 300 crianças e adolescentes de sete a 16 anos.”