08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O tempo


| Tempo de leitura: 1 min

Impossível torná-lo imperceptível! Inadvertidamente convida-nos ao crescimento interpessoal por caminhos bem áridos, ao crivo da dor, do dissabor, do desamor. A série de momentos ciclotínicos, ora de felicidades e infelicidades, evidencia legitimamente a antítese temporal da vida. Todos recebemos a mesma porção de tempo. No entanto, poucos reconhecem sua valoração. Contemporâneo ou extemporâneo, poucos felicitam-se com a dádiva do tempo presente como um presente. Dessa forma, sensatos foram os árcades ao proporem o sugestivo "Carpe diem". Reconheçamos, portanto, a sabedoria eclesiástica ao afirmar tudo ter seu tempo, o da semeadura e o da inevitável colheita.

Coisas boas da vida necessitam de tempo. Tempo para crescer, tempo para se desenvolver e tempo para simplesmente viver. A melhor maneira de aproveitar o tempo é compartilhar a vida através de mensagens fixadas na memória. Gravadas em livros. Descritas em cartas. Aliás, quão profundas são as cartas... Tão solitárias, entretanto, tão capazes de aproximar. Já dizia Rubem Alves: "Cartas não são escritas para dar notícias, não são para contar nada, não para repetir coisas por demais sabidas, mas para que mãos separadas se toquem, ao tocarem a mesma folha de papel".

Palavras escritas são solidárias, dizem sem esperar resposta. Não se escreve sem pensar, sem amar, sem ponderar. Que melhor maneira de aproveitar o tempo, a vida, senão lendo livros, cartas, histórias! Palavras tão vividas.

Karen Paula Fernandes, acadêmica de pedagogia