08 de julho de 2026
Nacional

Gastos podem atrapalhar financiamento


| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Gasolina, seguro, estacionamento, manutenção, impostos e até eventuais multas ou pedágios. Tudo isso deve ser estimado quando a ideia é comprar um carro. Os gastos que estão embutidos no fato de ter e de usar um automóvel podem encarecer a parcela do financiamento, que, aparentemente, cabe no bolso. O resultado é estourar o orçamento.


Como base em dados estimados, a reportagem simulou duas situações de compra financiada e os números mostraram que o gasto real pode ultrapassar muito a expectativa de custo mensal e anual de um carro.


Deixar de computar os gastos extras é um dos principais motivos que levam à inadimplência na aquisição de veículos, que cresceu 58% em 12 meses até junho. Por isso, especialistas recomendam que se faça a conta do gasto real, além de considerar se o carro é realmente necessário. É preciso também verificar quanto renderia o dinheiro disponível se estivesse aplicado e se vale a pena adiar o sonho para pagar mais barato, além de considerar outras opções similares, como táxi.



Gastos dobrados


Quando Ana Cristina Rocha, 32 anos, decidiu comprar um carro, optou por um seminovo - mais barato do que um zero. Depois de fazer alguns cálculos, ela chegou à conclusão de que o valor mensal cabia no orçamento e assumiu as parcelas da dívida de um amigo. Mas, ainda que a parcela coubesse no bolso, o que a analista química não levou em conta foi o conjunto de outros custos embutidos no simples fato de ter um carro.


Resultado: hoje ela e o marido precisam do carro e, para pagar as parcelas e usá-lo, têm de fazer uma verdadeira ginástica financeira. “Hoje precisa fazer milagre. No mês que você paga uma coisa não paga a outra e no outro mês você paga aquela que não pagou”, diz Ana Cristina.


Gastos com combustível, impostos, manutenção, estacionamento, seguro e até eventuais multas podem superar muito as parcelas que, aparentemente, eram compatíveis com a renda. Dependendo da rotina do dono do carro, elas podem até dobrar.


Uma estimativa: a parcela de um carro de R$ 30 mil financiado em 48 vezes com taxa de 1,5% sairia R$ 881,00. Mas, somados os outros custos, chega a R$ 1.331,25, fora os gastos eventuais.


Para especialistas, além dos incentivos do governo, como a redução do IPI, que diminuem o preço e aumentam o impulso para a compra, essa ausência de planejamento é um dos principais motivos da inadimplência alta na aquisição do veículo.


“Quando uma família põe um carro no orçamento, é como se estivesse incluindo um filho”, afirma o professor da FGV Alexandre Canalini.


E, para não cair na armadilha de ter que se desfazer desse “novo integrante da família” ou ter que deixá-lo parado na garagem, a recomendação é não se deixar levar pela empolgação e colocar tudo em uma planilha.


O gasto com combustível, por exemplo, vai depender de quantos quilômetros a pessoa roda por dia e de qual combustível usa - fora alguma viagem de fim de semana. Já o seguro pode encarecer ou baratear de acordo com fatores como o local em que a pessoa mora.


É  preciso levar em conta também que o automóvel é um item de consumo - e não um investimento - e sofre depreciação, diz Nogami.


Mas, para quem já comprou o carro e ele está corroendo o orçamento, o conselho dos especialistas é: venda mesmo que haja alguma perda, porque ela se tornará maior.