08 de julho de 2026
Articulistas

Uma nação do presente

Luiz Gonzaga Bertelli
| Tempo de leitura: 2 min

Há 512 anos, as caravelas capitaneadas por Pedro Álvares Cabral aportavam na calma baía de Porto Seguro. Inicialmente batizada pelos portugueses como Terra de Vera Cruz e já habitadas por povos indígenas, as novas terras foram incorporadas ao império de Portugal. Cinco séculos se passaram desde aquele 22 de abril e as transformações sociais acompanharam rapidamente a modernidade. Os povos indígenas foram dizimados ? restando hoje pouquíssimas tribos espalhadas pelo país ?; o pau-brasil foi explorado à exaustão; navios negreiros chegaram carregados de escravos; a família real desembarcou no Brasil, transferindo a Corte para o Rio de Janeiro; D. Pedro I gritou "independência ou morte"; a Lei Áurea libertou os escravos; a República instalou-se por aqui; um golpe levou Getúlio Vargas ao poder; o Brasil lutou na II Guerra Mundial ao lado dos aliados; militares ascenderam ao governo; a redemocratização foi concluída; e o Brasil alcançou a posição de sexta economia mundial e destaque entre as nações emergentes.

Esses acontecimentos, entre muitos outros, foram mudando a face do País que, de economia basicamente agrária, tornou-se um polo industrial importante para a América Latina e para o mundo; de uma população pequena, chegou aos anos 2000 como a sexta maior do mundo; conviveu com oligarquias e ditaduras, e hoje vive a plena democracia, exportando até tecnologia para eleições diretas em outros países. Conhecer a história possibilita entender os processos de transformação e a identidade atual do Brasil, com suas estruturas econômicas, sociais, políticas, religiosas, ideológicas e jurídicas. A história serve como instrumento de conscientização para a tarefa de construir um mundo melhor e uma sociedade mais justa. E também é pródiga em lições para as gerações que se sucedem. Conhecer o próprio passado e compará-lo com os de outras nações pode ser uma boa bússola para detectar valores que levarão ao desenvolvimento integral. Um deles sempre será a prioridade à educação. A própria Unesco divulgou, em pesquisa, que é a educação que retira as pessoas do estado de pobreza e lhes dá competências para conquistar um futuro melhor. A educação ajuda as pessoas a tomar decisões que atendem às necessidades do presente sem prejudicar as gerações futuras. Um país educado e consciente tem tudo para se manter no topo da pirâmide socioeconômica. Quem sabe se reestruturando nosso ensino, hoje ainda capenga, o país do futuro, descoberto lá nos anos de 1500, não se transformará numa próspera e justa nação do presente?

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp