São Paulo - Uma médica e um porteiro foram agredidos a coronhadas de pistola durante o arrastão de um condomínio residencial de classe média na zona sul de São Paulo. Eram 2h50 de ontem quando dois homens armados invadiram o edifício, na Vila Olímpia, pulando o muro que faz fundo com o prédio em construção de um hospital. A dupla, que estava encapuzada, rendeu o porteiro e determinou que ele abrisse o portão para outros três homens. Eles esperaram mais de três horas para iniciar os roubos aos apartamentos.
Perto das 6h, um outro porteiro chegou para trabalhar e se assustou quando viu o colega amarrado e sob a mira de armas. Tentou argumentar com os ladrões, mas acabou apanhando. Na sequência, começaram os assaltos.
Todos os moradores que desciam para o hall de entrada do prédio ou para o estacionamento acabaram rendidos. Eles foram obrigados a levar o bando para seus apartamentos e dar objetos de valor, como joias, dinheiro, tablets e computadores. Após entregarem seus bens, foram todos amarrados em um dos apartamentos.
Segundo a Polícia Civil, seis dos 17 apartamentos foram assaltados. Conforme imobiliárias, um imóvel nesse edifício vale cerca de R$ 700 mil.
Uma médica de 54 anos que mora no prédio também foi agredida porque, de acordo com policiais, ela discutiu com um dos ladrões. A situação ficou mais tensa quando em um dos apartamentos, um bandido fez um disparo acidental. O tiro não atingiu ninguém. A bala ricocheteou no chão e parou em uma parede.
Durante todo o assalto, os ladrões falavam por telefone celular e se chamavam de Jubileu, Marconi e Casa Grande. Na fuga, eles usaram um Fiat Punto vermelho que estava com as placas cobertas por fitas adesivas.
Com esse caso, São Paulo teve ao menos 16 arrastões a prédios residenciais neste ano. Conforme o Deic (departamento que investiga o crime organizado), 40 suspeitos de participação em 15 desses crimes acabaram presos.
Do caso de ontem, porém, ninguém ainda foi detido. Um dos porteiros rendidos e ex-funcionários do condomínio serão investigados. Como o prédio não tem câmeras de vigilância, a polícia analisa imagens de imóveis vizinhos para identificar o bando.