09 de julho de 2026
Esportes

Seleção Brasileira: Jogo de despedida

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Quatro dias depois de perder a final dos Jogos Olímpicos de Londres, para o México, dando adeus ao sonho da medalha de ouro, a Seleção Brasileira volta a campo para disputar um amistoso festivo contra a Suécia hoje, às 15h (de Brasília). O duelo será o último do Estádio Rasunda, em Solna, região metropolitana de Estocolmo, capital sueca. Foi neste campo que o Brasil derrotou a Suécia por 5 a 2 na grande final da Copa do Mundo de 1958, o primeiro Mundial conquistado pelos canarinhos. Agora, o estádio será demolido para a construção de uma arena muito mais moderna.

Apesar de ser um clima festivo e a lembrança do Estádio Rasunda ser muito positiva para o Brasil, a Seleção Brasileira entrará em campo pressionada. Apesar da diretoria da CBF garantir a manutenção do técnico Mano Menezes, a pressão popular por mudanças é enorme e uma nova derrota poderá derrubar o treinador, que prefere focar no trabalho.

“Recomeçamos neste jogo contra a Suécia a preparação para a Copa do Mundo de 2014, que ficou um pouco de lado por causa dos Jogos Olímpicos. Temos uma base montada para o Mundial e agora precisamos trabalhar muito mais para que nada nos falte na conquista do hexacampeonato”, disse Mano.

Apesar do discurso de continuidade da diretoria da CBF e de se tratar de um amistoso festivo, onde normalmente o resultado final não é muito valorizado, os jogadores sabem que apenas uma vitória vai acalmar um pouco os ânimos.

“Trata-se de um amistoso, mas sabemos que precisamos da vitória e vamos em busca dela”, disse o lateral direito Daniel Alves, que não participou da campanha dos Jogos Olímpicos.

 

Quem joga, Mano?

Mano Menezes tentará manter a base olímpica. O lateral Rafael e o zagueiro Juan, que discutiram durante o jogo contra o México, vão para o banco de reservas. Porém o treinador não precisa dar muitas explicações para a barração, uma vez que Daniel Alves assume a lateral e David Luiz entra na zaga. Eles já eram titulares da equipe principal.

O lateral esquerdo Marcelo, suspenso, foi desconvocado e Alex Sandro assume a posição. No ataque, Leandro Damião e Alexandre Pato continuam na eterna luta pela vaga de dono da camisa 9, com vantagem para o primeiro, artilheiro do torneio olímpico.

No treino tático realizado nesta terça-feira, Mano barrou Sandro e Hulk para as entradas de Paulinho e Ramires, que formaram o meio de campo com Rômulo e Oscar, enquanto Neymar jogou mais adiantado.


Mazolla dispara contra Neymar: ‘Firula não conta, o que conta é gol’

Se Pelé e Mazzola se entendiam bem dentro de campo, a ponto de serem dois dos principais jogadores da conquista brasileira da Copa de 1958, fora dele os dois mostraram que nem sempre pensam da mesma maneira. De volta ao Estádio Rasunda, palco da final que deu ao Brasil sua primeira Copa do Mundo, a dupla adotou ontem discursos diferentes para explicar o atual momento da Seleção.

Mais diplomático, Pelé preferiu justificar as atuações abaixo do esperado com a pouca idade dos jogadores brasileiros e a falta de entrosamento. Como exemplo, ele citou o “maior tempo de jogo” da seleção olímpica mexicana, que derrotou o Brasil por 2 a 1 no último sábado e conquistou a medalha de ouro.

“Acho que a Seleção Brasileira é muito jovem, ainda temos tempo para armar a equipe. Nossos jogadores têm categoria, mas precisamos ter um tipo de jogo”, afirmou ele.

Mazzola, por sua vez, adotou uma postura bastante severa em relação à Seleção, criticando especialmente Neymar. Usando expressões fortes e afirmando que “está tudo errado” com a equipe, ele sugeriu ao atacante santista que se inspire no argentino Lionel Messi.

“É preciso injeção de caráter. Firula não conta, o que conta é o gol. O Pelé era assim: tinha talento, mas também tinha garra. Está tudo errado. Com esse time, não teríamos chance se a Copa fosse hoje. (...) O Neymar não pode passar 90 minutos jogando na ponta esquerda, com o adversário marcando, batendo nele, sem o juiz apitar falta, como foi contra o México. O Messi joga em todas as posições, se movimenta o tempo todo, não dá possibilidade ao adversário”.

Os discursos de Pelé e Mazzola convergiram em um ponto: ambos pouparam Mano Menezes de maiores críticas.

Além de Pelé e Mazzola, Zito e Pepe fora os outros campeões mundiais que compareceram ao estádio para promover o amistoso entre Brasil e Suécia. Já a seleção de 1958 do país escandinavo foi representada por sete ex-jogadores: Bengt Gustavsson, Johansson, Sigvard Parling, Agne Simonsson, Reino Börgesson, Berndtsson e Owe Ohlsson.