Fora dos tatames, o atleta Mário Sabino volta orgulhoso para Bauru após participar das Olimpíadas em Londres como assistente técnico da Seleção Brasileira masculina e feminina de judô. Apesar de algumas zebras e estratégias que não deram certo, para o bauruense, todos os objetivos na competição foram alcançados.
Como integrante de uma comissão com quase 50 membros entre atletas olímpicos, fisioterapeutas e nutricionistas, Sabino esteve com a equipe de judô do Brasil na Sheffield Hallam University, em Sheffield, cidade a 250 quilômetros de Londres. Lá, o bauruense foi responsável por todo o treinamento dos 14 atletas até seguir definitivamente para a Vila Olímpica.
“Quem observou o treino pode perceber que o judô é como uma família. É difícil encontrar uma modalidade onde os atletas olímpicos ou aqueles que estão lá como apoio, ou seja, ‘só para cair’, se doam tanto. Se não fosse assim, nosso resultado teria sido outro”, afirma o orgulho assistente técnico bauruense.
O passaporte de Sabino foi carimbado após o reconhecimento de seu trabalho na Seleção Brasileira de Judô Militar masculina, de quem foi técnico na disputa dos Jogos Mundiais Militares de 2011, no Rio de Janeiro. Na ocasião, atletas como Rafael Silva, Felipe Kitadai, Tiago Camilo, Leandro Guilheiro, Bruno Mendonça e Denilson Lourenço, foram integrados à Seleção Militar. “Recebi o primeiro convite em 2009. Em dois anos, a Confederação de judô em parceria com o ministério de defesa, ajudou a montar a equipe que foi campeã geral. Esse contato maior com os atletas gerou uma maior afinidade”, relata.
Apesar da grande pressão do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e até mesmo da população, para Sabino, o objetivo da Confederação Brasileira de Judô foi alcançado. “Nossa meta girava de quatro a seis medalhas. Conquistamos uma de outro e três de bronze. Se viesse mais seria ótimo, mas em Olimpíadas tudo pode acontecer e acredito que fizemos uma excelente campanha.”, exalta.
Erros e zebras
Marcada pelos diversos erros de arbitragem em várias modalidades, alguns imprevistos, assim como “zebras”, também chegaram ao judô. Segundo o bauruense, erros absurdos aconteceram em várias categorias e alguns países contestaram lutas.
Outros atletas, como o caso de Leandro Guilheiro, primeiro lugar no ranking na faixa dos 81 kg, que terminou os Jogos em sétimo lugar, ficaram sem medalhas e caracterizaram surpresas na competição. “É importante lembrar que, tecnicamente, não perdemos para ninguém, porém as lutas dos atletas serão analisadas e algumas técnicas serão redefinidas. A comissão vai sentar para entender o que ‘deu errado’ e traçar novas estratégicas”, analisa Sabino.
Já no caso da brasileira Rafaela Silva, que foi desclassificada na categoria até 57 kg após perder para a húngara Hedvig Karakas, Sabino acredita que a punição foi correta. “Rafaela estava super bem treinada e confiante, no entanto, ela usou um golpe irregular, foi flagrada pelos árbitros e desclassificada. Ela tem apenas 21 anos e ainda é grande promessa para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro”. “No judô é assim, tudo é uma lição, a gente cai, levanta e segue em frente”.
Da ‘Sem Limites’ para o mundo e sem folga
Como atleta, o bauruense já viajou para mais de 30 países e representou o Brasil em diversas competições. Ele esteve em Sydney, na Austrália (2000), e em Atenas, na Grécia (2004), sendo que a melhor classificação que obteve foi um sétimo lugar, há 12 anos.
Deixando os Jogos Olímpicos de lado, Sabino ganhou a medalha de ouro no Pan-Americano de 2003, em Santo Domingo, e o bronze no Mundial de Osaka, em 2003.
E tem mais. No final de outubro, Sabino estará presente no mundial de equipes que ocorrerá em Salvador, Bahia. Na competição, grandes polos do judô internacional já confirmaram presença e a maior parte dos atletas brasileiros que lutaram em Londres também competirão e novamente, com Mario Sabino, Bauru também estará lá.