09 de julho de 2026
Geral

Anabolizantes proibidos são comercializados na Internet

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Basta digitar uma ou duas palavras-chave em um site de buscas para ingressar em um mundo onde as leis não se impõem e os riscos são iminentes. Na Internet, a venda de produtos proibidos que prometem a conquista do corpo perfeito ocorre de maneira indiscriminada.

Devido à dificuldade de fiscalização e identificação dos responsáveis, os anunciantes se sentem à vontade para divulgar livremente esteroides anabolizantes proibidos no País e termogênicos (emagrecedores) de uso controlado. As ofertas, formas de pagamento e de entrega são explícitas. Em apenas um site de buscas, há mais de 84 mil respostas para a combinação “venda + anabolizante”.

Mas, conforme o JC apurou, até mesmo algumas lojas e academias não escapam da tentação irresponsável de comercializar este tipo de mercadoria, que possui uma alta demanda no mercado paralelo. Pelo Facebook, uma loja localizada na zona oeste de Bauru oferecia, até a última terça-feira, anabolizantes e termogênicos sem o menor pudor.

Uma embalagem de comprimidos de oxandrolona (esteroide) era vendida por R$ 164,00. Sessenta cápsulas de hormônio metasterona, comercializadas a R$ 230,00, “com entrega via Sedex ou retirada na loja”, anunciava o dono do estabelecimento. Outro esteroide semelhante saía pelo mesmo preço, “parcelado em até 4 vezes”.

Havia ainda oferta de cápsulas de efedrina, entre outras substâncias de uso proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Contatado pela reportagem, o proprietário da loja e dono da conta na rede social alegou que havia anunciado os produtos apenas para chamar a atenção da clientela, mas que não comercializava os itens. No dia seguinte, no entanto, ele retirou todas as ofertas proibidas do ar e postou uma mensagem dizendo desaprovar a venda de suplementos ilegais e respeitar a vigilância sanitária.

De acordo com um comerciante que preferiu ter a identidade preservada, a venda clandestina e a facilidade de acesso a anabolizantes e termogênicos é uma realidade conhecida de todas as pessoas que desejam ter o corpo “sarado” e musculoso. Quem prefere o caminho mais rápido e fácil – embora com o ônus de ser bem mais arriscado – acaba apelando para os esteroides, muitas vezes sem o devido acompanhamento médico.

“Geralmente, é um amigo que usa e ‘receita’ para o outro. Até mesmo professores de academia indicam. E qualquer um compra, livremente, sem a mínima orientação”, revela o comerciante. De acordo com ele, entre os anabolizantes, a Anvisa autoriza apenas a venda de Deca Durabolin, Hemogenin e Deposteron, sempre em farmácias e com receita médica.

“Nenhum anabolizante pode ser vendido sem receita. Mas não é isso o que a gente vê na Internet e em algumas lojas e academias da cidade. É uma terra sem lei”, comenta.

 

Vitamina veterinária: riscos para saúde

Para o proprietário de uma academia, que garante não permitir este tipo de comércio no seu estabelecimento, a alta procura estimula o mercado clandestino. Nas redes sociais, o lema “só planta cresce de maneira natural”, utilizado por alguns usuários de anabolizantes, dá uma ideia de como pensam aqueles que procuram resultados rápidos com o mínimo de esforço.

“As pessoas querem milagre. Ninguém quer ter uma dieta rigorosa e se dedicar exaustivamente aos exercícios físicos. Elas querem resultado rápido, em curto prazo. Mas é algo que pode custar caro”, frisa o empresário.

São distorções de pensamento que levam pessoas a consumir, por exemplo, substâncias como a ADE, complexo vitamínico veterinário utilizado para a engorda de eqüinos e bovinos. Na tentativa de ganhar massa muscular, podem acabar morrendo por parada cardiorrespiratória.

Da mesma forma, o uso de anabolizantes e termogênicos podem causar desde tremores, alterações de humor e tontura. Mas, em doses elevadas e prolongadas, podem estimular o surgimento de tumores (no caso dos esteroides) e provocar infarto.

Outro risco de acreditar nos anúncios divulgados na Internet e comprar produtos sem procedência é que eles podem ser falsificados e com composição totalmente diversa da descrita no rótulo da embalagem. Com sorte, o sujeito terá adquirido placebo e apenas jogado dinheiro fora.

 

Fiscalização esbarra nas dificuldades para identificação do criador de sites

Por meio de nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que as fiscalizações na Internet são feitas em parceria com a Polícia Federal. Reconhece, no entanto, que enfrenta dificuldades para identificar os criadores de sites que vendem esses produtos. “Um exemplo: a Anvisa encontra um site com venda proibida do produto e manda fechar a página. Infelizmente, no outro dia, o mesmo criador da página fechada abre outra”, detalha a nota.

Já a Secretaria Municipal de Saúde informou que as denúncias sobre o comércio de anabolizantes proibidos nas lojas do município são atendidas pela Divisão de Vigilância Sanitária do Município, conforme determinação Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).  Em casos de constatação de irregularidades referentes a denúncias dessa natureza, o responsável pela ocorrência é notificado e fica sujeito a penalidades que incluem multas que vão de R$ 150,00 a R$ 4.122,00, podendo haver interdição do local, de acordo com a gravidade da situação.

Em algumas situações, a Vigilância Sanitária também poderá acionar a Polícia Militar. De acordo com a secretaria, em 2012 não houve registro desse tipo de irregularidade. As denúncias devem ser reportadas pelo telefone (14) 3235-1458.

 

Suplementos X anabolizantes

Muitos confundem suplementos com anabolizantes e vice-versa. Até quem pratica esportes faz tal confusão. Porém, há grandes diferenças entre eles. De acordo com o Portal UOL de notícias, os suplementos são preparados com os mesmos ingredientes dos alimentos ou sintetizados de forma bem semelhante ao natural.

São recomendados para potencializar dietas saudáveis de atletas ou para quem tem carência de algum nutriente. Ricos em proteínas, vitaminas, minerais, carboidratos, aminoácidos, possuem o selo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Apesar de sua venda ser liberada, é importante que um especialista seja consultado antes do uso.

Já os anabolizantes são feitos de esteroides artificiais, como é o caso da testosterona. Na corrente sanguínea, alteram os sistemas hormonal e nervoso, podendo causar sérios danos à saúde.