08 de julho de 2026
Geral

Dia da Fotografia com reinvenção

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Todo mundo se acha um pouco fotógrafo atualmente. Para muitos, basta ter um celular, por mais simplório que seja, e uma câmera acoplada e pronto, tem se uma imagem que, em outros tempos, dependia de paciência e habilidade na revelação dos velhos filmes. Contudo, mesmo com toda a tecnologia a disposição, uma ferramenta sobressai: o olhar.

É na sensibilidade para captar o melhor ângulo e flagrantes em frações de segundo que a arte da profissão sobrevive. Em meio aos bytes de arquivos eletrônicos que substituem a presença física das imagens impressas, o estilo “romântico” de fotografar se adapta.

Hoje, quando é comemorado o Dia Mundial da Fotografia, profissionais da “velha guarda” e iniciantes se juntam no mesmo barco tecnológico e imediatista do universo digital.

“A tecnologia digital facilitou meu trabalho. Mas é importante salientar que não adianta ter um jumbo se o piloto não consegue voar com um ‘teco-teco”, compara Flávio Guedes, fotógrafo de família há cinco gerações no ramo. Aos 53 anos, ele vivenciou desde as revelações em preto e branco, imagens coloridas analógicas e a “revolução digital”.

Apesar de se dar bem com a atual ferramenta, as mudanças também provocaram fortes efeitos no próprio negócio da família, obrigada a fechar a loja de filmes e revelações mantida há décadas na cidade. “Devido a essa transformação optamos pelo fechamento, há dois anos”, justifica.

Mas ele não lamenta. Pelo contrário. A adaptação motivou o fotógrafo a trabalhar exclusivamente com o que gosta, ou seja, registrar imagens. “Voltei a ser, simplesmente, fotógrafo”, sintetiza ele, que milita no campo de reportagens de eventos.

Apesar da praticidade, o meio digital não tem a mesma capacidade de eternizar momentos do que a foto impressa. Essa é a visão de outro profissional com experiência nos dois modos de registro, o fotógrafo Olício Pelosi.

Ele admite que teve de “reaprender” a trabalhar a partir do momento em que o formato digital se tornou padrão. “Muitos amigos ficaram pelo caminho. Não se tratava apenas de aprender algo novo, mas aprender tudo”, recorda.

Contudo, mesmo totalmente adaptado e com domínio sobre a tecnologia, ele não descarta guardar as imagens preferidas em papel. “Um arquivo JPEG, por exemplo, perde os pixels com o passar do tempo. Ter uma imagem estocada no HD de um computador não é garantia de mantê-la para sempre”, adverte.

Outro fator que o digital perde para o bom e velho filme, observa o profissional, está na chamada profundidade de campo, a área em foco,  menor no formato moderno, segundo ele.

“Nos filmes havia um padrão de qualidade, menor nos sensores das câmeras domésticas”, compara Pelosi, cujas imagens preferidas são de momentos em que a maioria dos fotógrafos, profissionais ou não, não estaria com o ‘foco’ voltado às câmeras. “O que gosto mais é (de fotografar) do que envolve as relações humanas”, resume.

 

Caminhada fotográfica

Hoje, dia mundial da fotografia, Olício Pelosi, coordenador do grupo de fotógrafos Focopoint, comanda novamente o photowalk, oportunidade em que, numa caminhada, diversos pontos da cidade poderão ser registrados com um olhar único por cada integrante. Aberto, o evento tem início marcado para as 9h, na escadaria do Parque Vitória Régia. O trajeto inclui o Bosque da Comunidade, Praça Portugal, avenida Getúlio Vargas e retorno ao parque.


Olho no lance

Editor de fotografia do Jornal da Cidade, Quioshi Goto é outro fotógrafo que acompanhou estágios diferentes do fotojornalismo, do preto e branco às câmeras com alta resolução digital. Em meio às diversas imagens registradas em quatro décadas de experiência, Goto destaca uma feita em meados dos anos 1990, quando o então governador do Estado, Orestes Quércia, estava em plena campanha para eleger seu sucessor, Luiz Antônio Fleury Filho. “Consegui fazer a foto com Fleury ‘olhando’ através da mão de Quércia”, narra Quioshi.