09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Eles contam medalhas e nós contamos os mortos


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Não vejo sentido nenhum nesses jogos. Muitos menos num tal de Jogos Abertos do Interior. Vamos gastar tantos milhões numa pista... dois milhões numa rampa... O ser humano precisa aprender a contar macas em corredores e sentir vergonha disso, a contar os mortos e sentir vergonha disso, a ver quão insano é só pensar em construir moradias e esquecer que neles haverá gente que vai adoecer e morrer, e que antes de morrer precisará de assistência médico-hospitalar.

Vê-se uma área ociosa e logo se pensa em contruir tudo, menos hospital. O que deveria ser um evento corriqueiro, tornou-se raridade, um acontecimento, que aliás nunca acontece. Quem se empenha em trazer melhorias sanitárias para as cidades?

O ser humano que ainda não morreu, ficará doente, se já não está ou não ficou. Precisará de centros de saúde, hospitais, consultas, internação, remédio. Tudo é tão certo, e eles fazem tudo tão errado! Um bar em cada esquina, um prédio em cada esquina, mais um empreendimento imobiliário.

Cadê os deputados com a notícia de que teremos mais um hospital na cidade? Estão empenhados em quê? Em ser papagaio de pirata? Cadê a obsessão dos gestores por ver o próximo sofrendo menos? Reuniões político-partidárias para esquecer mais gente agonizando. Melhor é aparecer nas fotos junto à governadores, senadores, vice-presidentes, visar a própria carreira.

Gente sem consciência. Gente bruta. Vêem os moribundos e pouco se lhes dá. Uma foto sorridente no jornal. Será que têm noção de quão desprezíveis são? A importância desimportante. Gente que devia cuidar do povo e não cuida. Esses são os verdadeiros mortos.

Julio Diogo