08 de julho de 2026
Internacional

Síria: Obama diz que EUA podem intervir

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O presidente americano, Barack Obama, disse que os EUA mudarão sua posição em relação à Síria caso armas químicas ou biológicas sejam utilizadas no conflito entre rebeldes e o ditador Bashar Assad.

“Temos deixado muito claro que para nós há algo decisivo (para uma mudança de posição), que é vermos as armas químicas caírem nas mãos de pessoas erradas”, disse Obama. “Isso mudaria significativamente minha avaliação da situação síria”. Ele advertiu que os EUA estão monitorando a situação no país cuidadosamente e já têm preparado diversos planos de contingência.

“Até agora não ordenamos uma ação militar no país, mas se há algo crítico para nós, é a questão das armas químicas e biológicas”, enfatizou o presidente.

Ao ser pressionado pelos jornalistas se o uso de armas químicas no país implicaria automaticamente em uma intervenção militar americana, Obama disse que situação na Síria é “muito volátil” e que não é garantido que os EUA recorrerão às forças militares nesse caso.

“Mas esse é um fator decisivo para nós, e haverá enormes consequências se vermos que as armas químicas sírias estão sendo usadas ou movimentadas”, disse.

Além disso, o presidente americano lamentou a violência de Bashar Assad contra seu povo e admitiu que uma transição pacífica no país ainda parece distante.

Durante meses, o governo dos EUA pressionou diplomática e economicamente a Síria para a saída de Assad. Recentemente, ele ajudou a oposição no país com suprimentos não letais que custaram US$ 25 milhões aos cofres americanos.

Segundo o jornal “The Wall Street Journal”, a Síria começou a movimentar parte do seu arsenal de armas químicas, transladando-o para diversas regiões.

 

Monitores da ONU

Observadores militares da ONU deixaram Damasco, ontem, após quatro meses de missão na qual assistiram impotentes à escalada do conflito na Síria, ao invés de monitorarem um cessar-fogo entre as forças do governo de Bashar al-Assad e os rebeldes que tentam derrubá-lo.

Sete veículos da ONU foram vistos deixando um hotel de Damasco na manhã de ontem, levando alguns dos últimos membros de uma missão que chegou a ter 300 observadores espalhados pelo país.

Os monitores, desarmados, haviam suspendido suas operações em junho, depois de serem alvejados. A maioria já havia deixado o país, mantendo apenas um “escritório de ligação” em Damasco à espera de uma chance de acordo político - o que não aconteceu. “Nossa missão fracassou porque os dois lados não cumpriram seus compromissos”, disse um observador fardado, pedindo anonimato, no hotel de Damasco.

O mandato da missão de monitoramento, conhecida pela sigla Unsmis, expirou no domingo à noite, depois que diplomatas da ONU disseram não haver mais condições para mantê-la. Os últimos monitores devem deixar a Síria até sexta-feira.

Após uma breve trégua, a violência na Síria se intensificou durante a presença dos monitores, e pelo menos 9.000 pessoas foram mortas desde que o grupo chegou para fiscalizar a trégua declarada em 12 de abril, por iniciativa do então mediador internacional Kofi Annan.

O cessar-fogo não chegou a ser plenamente respeitado. O conflito na Síria já dura mais de 17 meses, período em que pelo menos 18 mil pessoas morreram e 170 mil fugiram do país, segundo a ONU. A organização estima que 2,5 milhões de sírios precisem de ajuda humanitária dentro do país.

 

Novos ataques

Ontem, tropas e tanques do governo participaram de uma ofensiva para tentar expulsar as forças rebeldes do subúrbio de Mouadamiya.

Segundo um relato preliminar, pelo menos três pessoas morreram e 20 ficaram feridas no bombardeio nessa localidade contígua a Damasco, segundo ativistas de oposição. O primeiro dia da celebração do Eid al Fitr também serviu de pretexto para manifestações da oposição no país.