09 de julho de 2026
Internacional

Denúncias de Assange sobre caça às bruxas são ?absurdas?, dizem EUA

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

EUA - Os EUA acusaram ontem o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de fazer “declarações absurdas” para tentar “desviar a atenção” das acusações de crime sexual feitas contra ele na Suécia.

Assange, na Embaixada do Equador em Londres há dois meses, acusou ontem o governo Barack Obama de promover “caça às bruxas” contra o site, que vazou papéis secretos dos EUA.

“Ele não está sendo perseguido aqui”, disse Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado, que se recusou a comentar se a Justiça americana prepara ação contra Assange.

Os defensores do ativista, que recebeu asilo diplomático do Equador no dia 16, dizem que seu traslado à Suécia seria só um passo para enviá-lo aos EUA.

Ontem, o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, disse que voltará a negociar o caso Assange com o Reino Unido se o país retirar “oficialmente” a ameaça de que poderia invadir a Embaixada do Equador em Londres.

Mais cedo, o governo britânico reiterou que não dará salvo-conduto para que Assange viaje ao Equador, mas disse buscar “solução diplomática” para o problema.

Na semana passada, Londres advertiu o Equador de que poderia revogar o status diplomático de sua embaixada usando uma lei britânica. Depois, o governo disse que a intenção só era elucidar aspectos “dos quais o Equador deveria estar ciente”.

A ameaça provocou respaldo da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) ao Equador, que busca o mesmo na OEA (Organização dos Estados Americanos).

“O Equador decidiu de maneira soberana, sem consultar ninguém, e está no direito deles. Está previsto na Constituição equatoriana, como está na nossa”, disse o embaixador Antonio Simões, subsecretário-geral para as Américas do Sul e Central e Caribe, e representante do Brasil na reunião da Unasul.

Anteontem, Assange apareceu na sacada da embaixada do Equador em Londres para falar à imprensa, fazendo sua primeira aparição pública desde que se refugiou no prédio, há dois meses.

A aparição foi vista como uma tentativa de evitar a prisão. O australiano, que recebeu asilo diplomático do Equador no dia 16, é requerido pela Suécia por acusações de supostos crimes sexuais.

Na  aparição, Assange também elogiou a “coragem” mostrada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, por aceitar conceder asilo a ele.  “Eu agradeço ao presidente (Rafael) Correa pela coragem que mostrou ao considerar e me conceder asilo político”, disse.