08 de julho de 2026
Geral

Pipa enrosca e criança sofre choque

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Por trás de um brinquedo com aparência simples e inofensiva, uma ferramenta que pode até levar à morte se utilizada em meio aos riscos da zona urbana. Na manhã de ontem, a brincadeira de um menino de 8 anos que soltava pipa na Pousada da Esperança II quase acabou em tragédia quando ele tentou desenroscar a linha de um poste de energia elétrica.

Nas imediações de onde ocorreu o acidente, na rua Ramiro Vieira, as marcas da brincadeira nos postes do bairro demonstravam a frequência e a ousadia dos pequenos em desafiar o céu além dos limites da rede elétrica.

Os fios enroscados nos postes indicavam que aquela manhã foi apenas mais uma em que dezenas de crianças das redondezas se reuniram para brincar de empinar pipas. Porém, o dia não foi tão comum para a família do garoto de 8 anos que, ao tentar resgatar o brinquedo puxando-o pela linha por volta das 11h30 de ontem, acabou provocando um estouro e tomando um choque. Com sangramento no nariz, ele foi socorrido consciente pela Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI).

Na unidade médica, o garoto foi medicado e passaria por exames de raio X, mas seu quadro de saúde era estável e, conforme informou a assistência social da unidade, ele passava bem.

No local do acidente, familiares do menino não quiseram conversar com a reportagem, mas uma vizinha descreveu a situação e confirmou que é comum a criançada brincar de empinar pipa.

Por conta do acidente, a região da rua Ramiro Vieira ficou sem energia por algumas horas. Segundo a assessoria de imprensa da CPFL Paulista, 37 consumidores tiveram o fornecimento interrompido entre 11h40 e 12h37, devido ao curto-circuito ocasionado pelo contato da pipa com a rede elétrica.

 

Interrupções

Conforme o Jornal da Cidade publicou em junho deste ano, mais de 79,5 mil residências de Bauru ficaram temporariamente sem energia em 2011 por conta de curtos-circuitos provocados por pipas.

Neste ano, o uso impróprio do brinquedo chegou a causar interrupção para 37 mil clientes da CPFL até o mês de maio.

Na ocasião, a companhia informou que no período teriam sido registradas 207 ocorrências envolvendo pipas, uma média de um acidente a cada dois dias.

 

Cuidados

Quando enrolada nos fios de alta tensão, a linha da pipa pode romper cabos e se transformar em condutora de energia. Além disso, o uso do cerol - mistura de cola, limalha e vidro moído - pode aumentar os riscos de curto-circuito e choques elétricos. No Estado de São Paulo, a prática é considerada crime. Conforme orienta a CPFL, o ideal é que as pessoas soltem pipa longe da rede elétrica e, se o brinquedo ficar preso, a melhor atitude é não tentar recuperá-lo.

Outro ponto destacado pela companhia é que os pais devem assumir a responsabilidade de orientar os pequenos a brincar somente em praças, parques ou campos de futebol.

A utilização de “rabiolas” também deve ser evitada, já que o material se prende facilmente aos fios causando desligamentos e provocando choques.  O uso de papel alumínio na confecção dos brinquedos também não é recomendado, lembrando que, nos dias de chuva, a pipa funciona como condutor de eletricidade.