08 de julho de 2026
Bairros

Produto químico afeta moradores

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

“O mau cheiro começou na manhã do sábado e várias pessoas da vizinhança já passaram mal, inclusive eu e minha filha de 3 anos”, reclama Fabiana Macedo, 28 anos, sobre o incômodo causado pelo despejo anônimo e irregular de um produto químico no Parque Paulista, zona sudeste de Bauru, no último final de semana.

O ponto denunciado pelos moradores e empresas da localidade como área de desova do produto, que é parecido com óleo, é localizado nas imediações de uma pequena chácara no bairro, próximo ao final da avenida Rodrigues Alves.

Segundo informou o proprietário da área particular, C.S.C., 56 anos, que preferiu não se identificar, a porteira da chácara ficaria aberta o dia todo e no sábado, suposto dia do despejo, ele não estaria no local.

“Eu estava na casa do meu filho e quando voltei encontrei a chácara assim. Estou preocupado com os animais que criamos por aqui. Eu mesmo já passei mal. Fizemos até uma queimada para ver se o cheiro diminui, mas está complicado”, enfatiza C., pontuando que não teria permitido a descarga de nenhum produto químico no local.

Na manhã de ontem, a reportagem esteve na área do despejo do produto. O local fica abaixo de uma pequena ribanceira na lateral esquerda da chácara. A cor clara da grama em uma extensão de mais de 20 metros e o cheiro a cada passo mais forte evidenciava a irregularidade ambiental na área particular.

Para piorar a situação, o local afetado abriga a alguns metros o córrego Vargem Limpa. Apesar do cheiro intenso de óleo, alguns cavalos e bois pareciam não se incomodar com a situação.

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) foi comunicada pelos moradores sobre a situação e, ainda na tarde de ontem, informou que realizaria uma inspeção na área.

 

Suspeita

Dor de cabeça e náusea. Os sintomas entre os moradores e trabalhadores das redondezas que reclamavam da situação são os mesmos. Ao se aproximar da área afetada, a equipe do JC também chegou a se sentir mal com o forte odor que vinha do mato.

Conforme a reportagem apurou, pessoas residentes a cerca de 100 metros da localidade ainda podiam sentir os efeitos do suposto produto químico.

“O pior é quando a temperatura esquenta, o cheiro fica insuportável até dentro de casa. Isso é um absurdo”, lamenta Fabiana Macedo, que mora a duas quadras do local.

“Meu esposo e meus filhos passaram mal a noite toda por causa desse cheiro. Já falamos para o Corpo de Bombeiros e para a Polícia Militar, mas até agora ninguém resolveu nada”, completa Sônia Rodrigues, 40 anos, vizinha de Fabiana.

Em uma empresa fabricante de postes localizada no início da rua da chácara afetada, alguns funcionários também passaram mal.

“Na manhã de sábado eles reclamaram de ardência nos olhos e enjoo. Alguns disseram ter visto um caminhão-tanque passando por aqui minutos antes”, relata a sócia-proprietária da fábrica de postes, Rita de Cássia Trevisan.

“Não tem nada que justifique a passagem desse tipo de caminhão por essa rua”, levanta suspeita a mulher com relação ao vídeo gravado pelas câmeras de segurança de sua empresa.

 

Providências

Ao ser acionado, o delegado titular do Distrito Policial de Crimes Ambientais em Bauru, Dinair José da Silva, informou que irá se informar sobre o caso para dar início à investigação.

“É evidente que a situação caracteriza crime ambiental, mas o caso, provavelmente, não foi registrado em boletim de ocorrência, por isso não tínhamos conhecimento”, enfatiza o delegado, prometendo atuação da polícia quanto ao fato demonstrado em primeira mão pelo JC.

Em nota enviada ao JC por volta das 14h50 de ontem, a assessoria de imprensa da Cetesb disse apenas que “a Cetesb soube do caso agora e vai verificar o que está ocorrendo”.