08 de julho de 2026
Geral

Deficientes terão ?casas especiais?

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Até o final do mês de novembro, Bauru contará com duas residências inclusivas, serviço cofinanciado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) que acolherá deficientes dependentes em situação vulnerável.

No total, o programa contemplará o município com duas “casas especiais”: uma com 10 vagas para mulheres e outra com 10 vagas para homens (idade a partir de 18 anos).

A cidade de Bauru foi contemplada junto de outros cinco municípios: Cascavel e Ponta Grossa (Paraná), São José (Santa Catarina), João Pessoa (Paraíba) e Campo Grande (Mato Grosso do Sul). Como cofinanciador do projeto, o MDS contribui com R$ 10 mil mensais. Já o governo estadual deve complementar a renda com 50% deste valor, ou seja, R$ 5 mil.

A secretária do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo, ressalta que a Prefeitura Municipal também contribuirá, assim como já faz para as duas residências inclusivas existentes em Bauru, com apoio da Apae. “Atualmente a prefeitura contribui com R$ 21.926,06 mensais porque este projeto já existe aqui. Conseguimos quando o Lar Escola Rafael Maurício foi fechado”.

 

Aceite

Quando houve oportunidade do município se candidatar ao aceite do MDS, a cidade já mostrava experiência por ter sido pioneira no serviço. “Esse recurso já existia por conta do acolhimento dos deficientes do Lar Escola Rafael Maurício. Quando ‘abriu’ o aceite para este projeto-piloto, a Sebes se candidatou e a nossa prática técnica se destacou dentre as demais cidades”.

Assim como o trabalho já existente com apoio da equipe técnica da Apae, as novas residências inclusivas oferecerão atendimento integral a jovens (a partir de 18 anos) e adultos com deficiência. A prioridade será para aqueles em situação de dependência, ou seja, que não conseguem realizar tarefas básicas sozinhos como comer ou tomar banho.

“Os novos candidatos serão os que estão em situação vulnerável, que vivem nas ruas, sem nenhum ou com pequeno vínculo familiar. Na próxima semana faremos um chamamento público para as entidades se candidatarem. Elas oferecerão toda a equipe especializada para cuidar destes deficientes, como a Apae já faz. As residências serão alugadas, com todo o conforto”, garante Darlene.

Todo este trabalho social das equipes técnicas tem como objetivo principal fortalecer os vínculos familiares e comunitários, buscando sempre a reintegração à família. As residências devem estar funcionando até o fim de novembro. Serão locais comuns sem qualquer placa indicativa.

Até o final deste ano, o MDS pretende instalar um total de 40 residências como esta em todo o País. Outras 80 estão previstas para 2013, bem como para o ano seguinte. A meta do governo federal é instalar 200 unidades deste tipo até 2014.

 

Um lar especial

Atualmente, 26 deficientes (15 homens e 11 mulheres), divididos em duas residências, passam parte do seu dia na Apae e o restante no serviço de acolhimento. Ao adentrar ao local, nota-se uma residência comum, espaçosa e aconchegante.

O coordenador do serviço de acolhimento da Apae, Roberto Franceschetti Filho, conta que o espaço possui uma equipe técnica completa. “Aqui eles têm toda a equipe de cuidadores, psicólogo, assistente social. Os maiores fazem até um curso de estágio profissional para preparação para o mercado de trabalho, alguns têm emprego. Neste tempo que eles estão aqui, tentamos recuperar o vínculo familiar”, explicou.

Elvis Alan de Souza, 19 anos, morou cinco anos no Lar Escola Rafael Maurício. Aos 14 anos foi abandonado pela mãe. Seguiu o rumo das ruas e acabou encontrando uma entidade assistencial, que o encaminhou ao Rafael Maurício. “Eu morava na rua mesmo. Pedia comida. Se não conseguia, não comia. O pessoal da entidade que me levou para o lar. Gosto muito daqui desta casa”, contou.