Rio - A greve dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prejudicou, mais uma vez, a produção de indicadores econômicos do instituto.
Ontem, o órgão de estatísticas informou que problemas no processamento dos dados da Pesquisa Mensal de Emprego afetaram outro índice: o IPC-15, prévia do IPCA, indicador oficial de inflação do País.
As informações sobre rendimento da pesquisa de emprego são usadas como base para calcular a variação do preço do serviço de empregado doméstico.
O IPCA-15 sempre utiliza dados de dois meses anteriores ao mês de referência do índice de inflação. Então, para o cálculo do índice de agosto são usadas informações de junho.
Como os dados do Rio de Janeiro não foram processados na Pesquisa Mensal de Emprego de junho, por causa da greve, o IBGE decidiu repetir os dados de maio para o cálculo do IPCA-15 de agosto. As informações já tinham sido usadas no índice de julho.
O item empregado doméstico subiu 1,11% em agosto, abaixo da variação de 1,37% de julho. O peso de cada item no índice geral muda mensalmente, daí a diferença, apesar da repetição dos dados.
O IBGE não descarta novos problemas na divulgação da pesquisa de emprego, mantida para ontem, apesar da greve. Segundo o instituto, a equipe responsável pelo levantamento trabalhava para apresentar os dados completos.
Há, porém, a possibilidade de os problemas no Rio de Janeiro se repetirem e, mais uma vez, a divulgação ser prejudicada, como ocorreu com os dados de junho.
Cálculos prejudicados
Sem informações do Rio, ficaram prejudicados os cálculos da taxa média de desemprego e da variação média do rendimento nas seis áreas pesquisadas (que incluem ainda São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador).
Segundo o IBGE, a pesquisa é a mais afetada por conta do grande volume de dados e pelo fato de ser a única mensal do tipo domiciliar - o pesquisador vai à casa dos entrevistados.
Realizada por empregados terceirizados, a coleta continua sendo feita normalmente, de acordo com o instituto. O problema é que os dados precisam ser conferidos por uma equipe de funcionários próprios de agências estaduais do IBGE - muitos estão parados e bloqueiam o envio das informações à sede.
Ao fim da greve, o IBGE promete divulgar a taxa de desemprego média de junho e julho, caso não seja possível apresentar as informações completas ontem.
Procurados, líderes grevistas não foram localizados ontem na sede do sindicato.