08 de julho de 2026
Internacional

Obama ?quer desculpa? para atacar Síria

Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Pequim - A imprensa estatal da China acusou ontem os Estados Unidos de procurarem uma “desculpa” para atacar a Síria. A acusação é uma resposta ao presidente americano, Barack Obama, que afirmou que uma ação militar poderá ocorrer se o regime sírio fizer uso de armas químicas.

A agência oficial chinesa Xinhua afirmou que o comentário “perigosamente irresponsável” de Obama mostra que “mais uma vez as potências estrangeiras cavam desculpas para uma intervenção militar na Síria”.

A Xinhua também disse que o comentário de Obama agrava o conflito sírio e reduz as chances de um acordo político. Segundo a agência, “uma cruzada estrangeira” na Síria só traria mais violência e ódio. Rússia e China vêm se opondo a qualquer intervenção na Síria desde o início do levante popular contra Assad, em março de 2011. Os países, que são membros permanentes do Conselho de Segurança, votaram contra três resoluções que buscavam pressionar o presidente sírio, Bashar al-Assad, a dar fim à violência.


No Líbano

Pelo menos seis pessoas morreram desde a última segunda-feira em confrontos entre grupos sunitas e alauitas na cidade de Trípoli, no norte do Líbano. O acirramento entre as duas etnias acontece devido aos confrontos na vizinha Síria entre forças do ditador Bashar Assad e opositores, que começaram em março de 2011. Os enfrentamentos acontecem nos bairros de Bab el-Tebaneh, de maioria sunita e aliado dos rebeldes sírios, e de Jabal Mohsen, alauita e leais a Assad. Os dois distritos são separados por apenas uma rua e são cenários de confrontos cada vez mais violentos.

 

Cidade ‘libertada'

Rebeldes sírios falam com orgulho do dia em que as forças leais ao presidente Bashar al-Assad fugiram com seus tanques da cidade de Azaz, enquanto civis armados com rifles de caça se aglomeravam na praça principal. Mas, um mês depois, o sentimento por aqui não é de libertação.

A oito quilômetros do centro, o Exército ainda controla uma base aérea da qual dispara mísseis quase todas as noites contra Azaz, de onde mais da metade da população fugiu. E, na semana passada, um caça atirou duas bombas num bairro residencial central, matando pelo menos 30 pessoas.

“Não estamos libertados. Temos de esperar até depois que Assad for derrubado, eu acho”, disse o jovem ativista Abu Imad, ex-estudante de Direito que deixou a faculdade no último ano de curso, em março de 2011, para se juntar à então nascente rebelião contra Assad. Grande parte do leste e norte da Síria, nas fronteiras com Iraque e Turquia, e também alguns trechos da Síria central, estão fora do controle de Assad, que agora prioriza o combate aos rebeldes em cidades como Aleppo, Hama e Damasco. Isso deixa muitas localidades menores numa situação semelhante à de Azaz, num limbo.

O local é incapaz de ter um cotidiano normal, embora os temidos soldados do governo não estejam mais nas ruas. Pilhas de lixo se acumulam, as escolas permanecem fechadas, e o principal hospital está vazio - os funcionários fugiram para o outro lado da fronteira com a Turquia, a três quilômetros.

Poucas ruas permanecem ilesas depois de meses de bombardeios, e as portas das lojas estão retorcidas pelas explosões. Famílias que permaneceram ficam sentadas, apáticas, à sombra das suas casas. Um ou outro adolescente rebelde vaga de moto pelas ruas com seu rifle.

Muitos moradores de Azaz envolvidos na luta formaram brigadas e se deslocaram para a linha de frente em Aleppo, maior cidade do país, onde as forças de Assad combatem os rebeldes bairro a bairro.

Seus corpos voltam para Azaz sobre macas, lembrando à pacata cidade fronteiriça que a guerra está longe de ser ganha.