Moscou - O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Gennady Gatilov, disse ontem ter garantias de que o regime de Bashar Assad não usará armas químicas nos confrontos com grupos rebeldes. A suspeita foi levantada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em julho, com o aumento da intensidade nos combates.
Em entrevista à agência de notícias Associated Press, o representante russo disse que Moscou e o governo sírio estão trabalhando para assegurar que o arsenal não seja usado contra terroristas.
Ele também considerou que o país concorda completamente com os Estados Unidos na necessidade de prever o uso das armas de destruição em massa por ambos lados do conflito.
Na última segunda, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que os EUA mudarão sua posição em relação à Siria caso armas químicas ou biológicas sejam utilizadas nos confrontos. A declaração foi interpretada como uma insinuação a uma intervenção militar.
“Temos deixado muito claro que para nós há algo decisivo (para uma mudança de posição), que é vermos as armas químicas caírem nas mãos de pessoas erradas”, disse Obama. “Isso mudaria significativamente minha avaliação da situação síria”.
No dia seguinte, o vice-primeiro-ministro da Síria, Kadri Dzhamil, afirmou que Obama usa tom eleitoreiro ao comentar a crise e que o Ocidente busca desculpas para invadir a Síria.
Confrontos
Ontem, forças do governo e da oposição continuavam a se enfrentar no país. Ativistas rebeldes informam que pelo menos 70 pessoas morreram em enfrentamentos em todo o país, especialmente na capital Damasco, em que intensos bombardeios são feitos a bairros com maioria de insurgentes.
Ativistas informam que cerca de cem pessoas foram presas pelo Exército e as milícias armadas aliadas a Assad, conhecidas como “shabbiha”. Nas ações, pelo menos 29 pessoas morreram.
Enquanto os combates ocorriam na capital, o grupo opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos relatou que o Exército recuperou um bairro cristão de Aleppo, a segunda maior cidade do país, que há um mês quase foi tomada pelos rebeldes. Nos últimos dois meses, as duas cidades são os principais palcos dos combates.