08 de julho de 2026
Política

Campanha está distante do eleitor

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Pode parecer improvável que a 45 dias das eleições municipais o eleitorado bauruense ainda não tenha se deparado fisicamente com quem está na disputa para prefeito e, principalmente, para as 17 vagas na Câmara Municipal de Bauru.

Em alguns pontos de Bauru, como o Núcleo Habitacional Isaura Pitta Garms, na zona leste, moradores, bravos, manifestam a preferência de nem receber a visita dos candidatos. Já no Parque Industrial Manchester, bairro da região sudoeste, a população cobra o cumprimento das promessas, ao invés do discurso político conveniente de véspera de eleição.

São sentimentos que se distinguem nas diversas partes da cidade e revelam um certo descontentamento com a classe política e, por isso, o desinteresse da movimentação dos candidatos atrás do votos em ano eleitoral.

No Manchester, Waldemiro José Cristo, 58 anos, disse que a presença de candidatos é, praticamente, nula. Ele, a esposa e a filha, de 2 anos, vivem uma situação bastante precária. As moradias do bairro são cercadas por mata. Em algumas ruas só há a picada que delimita o leito da via. Waldemiro reside na rua principal do bairro, a Conde Matarazzo, sem asfalto e sem rede de captação de esgoto.  Seu poste, na quadra 6, é o último da rede de energia, significando que a eletricidade chegou faz pouco tempo. Problema mesmo é com o destino do esgoto. A família armazena em uma fossa. O morador explica que aciona o DAE para que venha limpar o reservatório com capacidade para 200 litros, mas precisa insistir muito toda vez que o tanque chega ao limite. Ele conta que, se não estivesse se recuperando de uma cirurgia no coração, realizada há 30 dias, limparia a fossa. Os médicos prescreveram resguardo ao paciente até meados de outubro.

Com tantas demandas por infraestrutura, Waldemiro não reclama da falta de asfalto nas ruas, porque há outras necessidades urgentes que afetam a qualidade de vida da família diariamente. “Tem várias coisas que o povo pede, mas nunca é atendido”, lamenta.

 

Isaura Garmes

No Isaura Pitta Garms, a moradora Terezinha de Oliveira também não tem visto os políticos que pleiteiam votos neste ano. “Eu nem sei quem são os candidatos”, pontua. A fala da moradora traz um certo desapontamento pela falta de melhorias no bairro. Ela cita que foi feito um parque para crianças, porém, os aparelhos já serão retirados. Ela reside no Isaura Garms desde a entrega do bairro, há 23 anos. Lamenta ainda a falta de farmácia e posto de saúde. A alternativa mais próxima é o Mary Dota.

Um morador, que não quis se identificar, diz que não tem visto os candidatos no bairro. “Eu voto porque tenho que votar. Nunca vi até agora um político ser bom”, desabafa o morador.

No Nova Esperança, a moradora Nair Rossi de Carvalho salienta que a campanha ainda está muito concentrada nas redes sociais, da Internet, e agora no rádio e TV. “Faltam dois meses e está na hora deles aparecerem”, comenta. Ela reside no bairro desde o começo e cobra a melhoria no abastecimento de água, que sempre falta.

No Parque Granja Cecília, outro extremo de Bauru, Dexter Aminadabe Alves explica que já se definiu por uma candidatura. “Não sei se o pessoal já tem consciência em quem votar, mas acho que o pessoal já sabe. Eu tenho candidato”, explica Dexter.

Ele comenta que falta segurança no bairro e que seria importante a instalação de uma Base Comunitária da Polícia Militar.

 

Para analista de política, rádio e TV trarão conexão

O cientista político Celso Zonta comenta que o eleitorado irá se conectar à campanha quando as candidaturas aparecerem com mais frequência no rádio e TV, que estreou há dois dias. “Vai produzir uma mudança significativa no quadro”, projeta.

Zonta comenta que a escolha do vereador historicamente ocorre, praticamente, na véspera das eleições, que neste ano será 7 de outubro.

Ele comenta que, no quadro para a eleição para prefeito, a disputa se mostra pouco competitiva e isso gera um desinteresse do eleitor, que já estaria propenso a uma candidatura. “O quadro para prefeito é típico na cidade e que leva, de uma certa forma, a uma campanha menos competitiva porque o prefeito (Rodrigo Agostinho) é um franco favorito nessas eleições”, salienta.

Zonta também avalia que a legislação eleitoral brasileira permite campanha em um prazo muito próximo da eleição. Neste ano serão 39 dias no primeiro turno – 21 de agosto a 4 de outubro.  “Nessa situação acho que haja pouco aquecimento da campanha. E é lógico que os candidatos mais conhecidos se beneficiam disso”, avalia Zonta.