08 de julho de 2026
Bairros

Denúncia de desmatamento é avaliada

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Silenciosamente e aos poucos, o cerrado em Bauru está desaparecendo de modo clandestino. A afirmação é feita pela organização não-governamental (ONG) S.O.S. Cerrado, que denunciou à polícia nas últimas semanas dois casos de desmatamento em bairros distintos da cidade.

Sobre o fato, o delegado do Distrito Policial de Crimes Ambientais informou que irá instaurar inquérito para apurar as denúncias, que acometeriam as áreas do Mary Dota e Tangarás. Em março deste ano, o JC publicou reportagem noticiando o desmatamento de uma área denominada Via de Acesso A, no bairro Mary Dota.

Na ocasião, a S.O.S. Cerrado denunciou que um homem, passando-se por corretor de imóveis, desmatava e negociava lotes por meio de contratos “de gaveta”. Após a denúncia, segundo o integrante da ONG Amilton Sobreira, as ações teriam sido interrompidas na área, mas em agosto deste ano o suposto estelionatário voltou a agir.

Desta vez, o ponto de corte de árvores, além da Via de Acesso A, também ocorreria na Via de Acesso B, em uma rua localizada no cruzamento com a avenida Rizik Eid Gebara. Os pontos indicados situam-se nas proximidades da Chácara São João e da Área de Proteção Permanente (APP).

Segundo Sobreira, a área seria visada por estelionatários que tentam levar vantagem financeira aproveitando a expansão de loteamentos na ocupação do Mary Dota. Em 2009, a ONG chegou a registrar um boletim de ocorrência na Polícia Ambiental denunciando o mesmo crime na região, entretanto, segundo o integrante da S.O.S. Cerrado, até o momento nenhuma resposta teria sido dada pelas autoridades no caso.

 

Corte silencioso

Na última semana, a reportagem do JC esteve nas imediações da Via de Acesso B e conversou com um morador das proximidades, que afirmou que um pequeno grupo agiria no terreno de modo suspeito.

“Isso está acontecendo há um mês. Eles chegam entre 16h e 17h e de domingo com uma máquina elétrica silenciosa, e começam a arrancar tudo”, relata o morador, explicando que o cercado existente no terreno foi feito há alguns meses por ele e por seu filho para deixar a área, que estaria abandonada, protegida de invasores.

Para Sobreira, a situação evidencia a atuação de uma quadrilha na cidade. O suposto homem que realizaria os cortes usaria um carro preto com placas da cidade de Campo Grande, conforme o integrante da S.O.S. Cerrado, e onde, após o serviço de corte, o material lenhoso seria transportado. “Ele diz ser dono, mas não mostra toda a documentação.”

Acionado, o delegado titular do Distrito Policial de Crimes Ambientais, Dinair José da Silva, esteve nos locais apontados e conversou com um suposto proprietário do lote na Via de Acesso A, que alegou ter adquirido a área de 178,14 m2 por R$ 33 mil de uma imobiliária da cidade. A denúncia será investigada.

 

Proteção ambiental?

Sobre a denúncia descrita acima, a Semma informou que a área em questão seria particular e de reserva ambiental. Em nota, a prefeitura também relata que encaminhou à Polícia Ambiental a denúncia. Questionada sobre a possibilidade de haver registros dos casos, a Polícia Militar Ambiental informou, por meio do tenente Ernani Francisco Santos, que não havia recebido nenhuma denúncia e que irá averiguar, nos próximos dias, os supostos crimes nos locais indicados.

Caso as áreas sejam de proteção ambiental, os responsáveis responderão pelos crimes de desmatamento e loteamento clandestino. “Mesmo se o terreno for realmente particular, checaremos se há corte irregular da mata”, completa o delegado Dinair José da Silva.

 

Tangarás

Ainda segundo a ONG S.O.S. Cerrado, outra região de Bauru que também estaria sofrendo com o desmatamento ilegal seria uma área contaminada do bairro Tangarás. O ponto é localizado na quadra 21 da rua Ariovaldo Maciel. Conforme Sobreira, o local, com mais de 50 m2, seria área contaminada por chumbo e estaria sendo loteado vagarosamente.

“Os novos loteamentos precisam de várias autorizações. Aquela é uma área de risco à saúde e não poderia ser loteada, mas está acontecendo”, afirma o integrante da S.O.S. Cerrado Amilton Sobreira, que registrou as imagens das ações no local.

Na área do suposto desmatamento é possível observar a clareira aberta em meio ao cerrado e pedaços secos das árvores ao chão.