O tom ameno, mas propositivo, dos prefeitáveis de Bauru marcou o debate realizado na noite de ontem e transmitido ao vivo pela TV Preve. Rodrigo Agostinho (PMDB), que apesar do favoritismo havia protagonizado os cutucões do primeiro confronto entre os candidatos, na última terça-feira, parece ter abandonado a estratégia e seus adversários tiveram cuidado ao criticar o governo.
Ao final do encontro, Chiara Ranieri (DEM) chegou a parabenizar os demais pela “elegância nas abordagens”. Em nenhum momento, aliás, a candidata conseguiu polarizar o debate com o atual prefeito e ainda engoliu Rodrigo enaltecer, por mais de uma vez, o bom relacionamento e as obras importantes viabilizadas junto ao Governo do Estado, vinculado aos dois partidos de sua coligação.
O verde Clodoaldo Gazzetta conseguiu instigar Agostinho quando questionou a relação, muitas vezes conflituosa, entre o prefeito e os partidos que o apoiam. “Não vejo harmonia. A base fez mais barulho que a oposição. Imagine agora com 15”, pontuou.
O prefeito aproveitou o questionamento para argumentar que seus cargos de confiança são escolhidos a partir de critérios técnicos, embora muitos que os ocupem sejam filiados a agremiações políticas. Rodrigo disse ainda que, ao contrário do que se especula, tem uma boa relação com sua vice Estela Almagro (PT).
Na ocasião, ele reiterou que vai cumprir os quatro anos de mandato e não vai se candidatar a deputado em 2014. Essa pergunta já havia sido feita ao prefeito pelo professor Duda Trevizani. “São boatos que lançaram na campanha passada. São pessoas mentirosas que dizem isso”, pontuou Agostinho, que pretende registrar o compromisso em cartório.
Apesar de alguns segundos mais apimentados, a cautela dos candidatos era tão grande, que Gazzetta praticamente ‘pedia desculpas’ a cada vez que apontava uma falha da administração municipal, afirmando: “Não é uma crítica pessoal”, repetiu algumas vezes.
Saúde
O tema que aparenta ser o mais polêmico da campanha de 2012 foi abordado em uma ‘troca de bolas’ entre Chiara e Gazzetta, que enfatizaram a importância do papel do prefeito na regulação das vagas de retaguarda hospitalar. Apenas divergiram quanto à necessidade de um Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de âmbito municipal, defendido pelo candidato verde.
Já Rodrigo, quando questionado pelo jornalista João Jabbour sobre a característica reativa e não proativa da administração pública, respondeu: “Como prefeito, como vou pegar canivete e ir ao Governo do Estado, dizendo: ‘eu quero o Hospital de Base’?”.
Distrito industrial
Tema comentado pelos três principais candidatos foi a necessidade da implantação do quarto Distrito Industrial em Bauru. Rodrigo lembrou que autorizou a instalação de 54 indústrias no terceiro e que já enviou à Câmara projeto para mudar o zoneamento dos Lotes Urbanizados.
Chiara Ranieri, porém, destacou a demora do Poder Executivo, lembrando que a destinação dessa área para a atividade industrial já está prevista pelo Plano Diretor desde 2008. A demista quer ainda compensação financeira à prefeitura pela preservação de áreas de cerrado.
Já Clodoaldo Gazzetta afirmou que serão necessárias parcerias entre o poder público a iniciativa privada para que o município não perca as empresas já instaladas na cidade.
Ops
Acostumado a criticar, Paulo Sérgio Martins foi pego de surpresa pelo prefeito Rodrigo Agostinho, que tentou associar a direção do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) ao PSTU. “O funcionalismo está longe da vida sindical. Prova disso foi a última eleição [que não atingiu o quórum mínimo de votantes]”.
O sindicalista negou ligação da atual diretoria do Sinserm com seu partido e disse que, caso existisse o elo, os Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), chamados por ele de vergonhosos, não teriam sido aprovados com tanta tranquilidade.
Outros temas
Clodoaldo Gazzetta afirmou que, caso eleito, vai criar a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Segurança Pública e a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) se responsabilizaria apenas pela limpeza urbana.
Chiara criticou a ‘falta de grandes obras’ no município e diz que quer pavimentar, por ano, a quantidade de quadras que receberam o asfalto durante todo o governo Agostinho.