Em visita a Bauru para a inauguração do comitê eleitoral da coligação Bauru de Todos, já no final da noite de sábado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, garantiu que, além do Estado e do município, o governo federal também pode apoiar financeiramente o Hospital de Base (HB). Em tom de discurso de campanha, ele elogiou a ousadia do prefeito Rodrigo Agostinho – a quem chamou de “Neymar da política” - por sua disposição em transferir a unidade para o controle municipal e disse que o HB poderá ser incluído em alguns programas do ministério para, assim, receber recursos além do que é repassado pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
“A população de Bauru pode ter a tranqüilidade e a segurança de que o ministério será parceiro da prefeitura, se necessário for, para garantir qualidade no atendimento à população”, frisa. Atualmente, a União destina cerca de R$ 40 milhões ao Estado para o pagamento de serviços do SUS prestados pelo HB. Se o acordo para a mudança de gestão for mesmo sacramentado, todo o recurso passaria para as mãos da administração municipal.
Mas, de acordo com o ministro, o montante pago por determinados procedimentos poderia até dobrar, caso o gestor aderir a alguns programas prioritários do governo federal. Um deles, por exemplo, tem como objetivo reduzir filas de espera para cirurgias eletivas em algumas especialidades, como ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia. Trata-se de um projeto criado no ano passado e que, segundo Padilha, já elevou em 65% o número desses tipos de procedimentos cirúrgicos entre 2011 e 2012.
Mutirões
“O hospital pode, inclusive, realizar mutirões para ampliar o volume de cirurgias realizadas, se aproveitando de momentos em que o centro cirúrgico estiver ocioso. Basta o município apresentar sua adesão, que iremos apoiar a reestruturação do hospital”, destaca ele, citando ainda outro programa da rede de urgência emergência do ministério, em que os repasses da tabela SUS também podem ser dobrados para a manutenção de leitos de retaguarda dos prontos-socorros.
Os mutirões são defendidos como gestão de governo para desafogar filas pela candidata adversária de Rodrigo na disputa municipal, a vereadora Chiara Ranieri (DEM).
Com recursos extras, seria possível reativar cerca de 50 leitos que estão ociosos no Base, o que reduziria significativamente o déficit de vagas para internação demandadas por pacientes atendidos no Pronto-Socorro Central (PSC). Pelos cálculos do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, 60 leitos seriam suficientes para amenizar o problema. Isso representa uma demanda de disponibilização de leitos de 25 vagas/dia no sistema de urgência.
“Isso porque temos uma demanda de cerca de 20 internações por dia. Considerando que cada paciente fica, em média, três dias internado, 60 vagas dão conta de desafogar grande parte da nossa demanda”, frisa.
UPAs serão entregues em setembro
Padilha também acredita que o gargalo no atendimento da rede local deve ser aliviado por meio das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) que, segundo ele, ajudam a reduzir a demanda nos hospitais. Duas UPAs já foram inauguradas em Bauru no ano passado – a do Núcleo Mary Dota e a do Jardim Bela Vista – e a promessa é de que outras duas – na Vila Ipiranga e no Jardim Redentor - comecem a funcionar até setembro deste ano.
Todas são mantidas com recursos da União e município, embora a regulamentação permita que os custos também sejam divididos com o Estado, o que não ocorre em São Paulo. Mas, conforme Padilha, há meios de a União ampliar seu percentual de repasses.
“Se a UPA estiver funcionando de acordo com o padrão de qualidade estabelecido pelo Ministério da Saúde, podemos dobrar o recurso para esta unidade 24 horas. Depois de um período de seis meses de atendimento, já começamos a fazer avaliações para premiar os municípios”, frisa.
Mas, para unidades classificadas como do tipo 3, como é o caso da UPA do Bela Vista, por exemplo, o programa não teria efeito, já que os repasses são limitados a R$ 6 milhões por ano. Atualmente, a UPA do Bela Vista demanda um investimento de R$ 12 milhões anuais e a prefeitura é responsável por custear 50% deste valor. A outra metade – ou seja, exatamente R$ 6 milhões – já é paga pelo governo federal.
Durante o discurso de inauguração do comitê eleitoral da coligação Bauru de Todos, o prefeito Rodrigo Agostinho garantiu que as duas últimas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) da cidade serão inauguradas até setembro. Uma delas será na Vila Ipiranga e outra, no Jardim Redentor.
Segundo Rodrigo, as UPAS do Jardim Bela Vista e do Núcleo Mary Dota, em funcionamento desde o ano passado, já reduziram pela metade a demanda de atendimentos até então concentrada no Pronto-Socorro Central (PSC). Por conta das restrições impostas pela Justiça Eleitoral, o prefeito ficará impedido de comparecer às solenidades de inauguração das duas próximas unidades.
Reunião
Conforme adiantou o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, está marcada para a próxima quarta-feira a primeira reunião para discutir a transferência de gestão do Hospital de Base (HB) para o município.
Além dele, devem participar do encontro o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag; Pedro Pereira, diretor de planejamento, avaliação e controle da Secretaria Municipal da Saúde; o secretário municipal de Negócios Jurídicos Maurício Porto; e a diretora da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, entre outros técnicos do Estado.
Atraso e disposição
Devido à agenda lotada, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou a Bauru com quase uma hora e meia de atraso. Ainda que o horário programado para sua chegada fosse às 21h, convidados foram orientados a estar no comitê a partir das 20h. Entre eles, estavam os vereadores José Carlos de Souza Batata (PT), Roque Ferreira (PT) e Fabiano Mariano (PDT), o secretário municipal de Saúde Fernando Monti e parte dos 185 candidatos da coligação Bauru de Todos.
Após longa espera, muitos acabaram indo embora antes do início da solenidade de inauguração. A demora também preocupava o prefeito Rodrigo Agostinho, que era esperado no Espaço Bauru, onde ocorria o prêmio “Destaques do Ano”, promovido pela Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).
Por volta das 22h20, Padilha foi recepcionado com queima de fogos na quadra 6 da avenida Duque de Caxias, onde fica o comitê. Ao longo do dia, o ministro já havia visitado outros cinco municípios para fazer campanha. Sem demonstrar cansaço, ele discursou por 15 minutos, atendeu a imprensa e fez fotos com todos os convidados. A disposição foi elogiada por correligionários.