08 de julho de 2026
Geral

Parada da Diversidade tem recorde de público

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Público lotou a avenida Nações Unidas durante a Parada da Diversidade

A avenida Nações Unidas foi tomada pelas cores do arco-íris na tarde de ontem, durante a 5ª Parada da Diversidade, que reuniu público recorde em Bauru e foi regida pelo tema “Empregabilidade gera cidadania”. Crianças, idosos, casais hetero e homoafetivos, grupos de amigos e famílias inteiras se reuniram para celebrar a riqueza das várias formas de ser e pensar da sociedade.


Segundo estimativas da Polícia Militar, 40 mil pessoas compareceram à marcha - 3 mil a mais do que o número registrado no ano passado. De acordo com organizadores, no entanto, a multidão que acompanhou a festa da Praça da Paz até o Parque Vitória Régia teria superado as 60 mil pessoas.



Trio elétrico


Embalada pela música eletrônica que ecoava dos trios elétricos, a Parada teve início por volta das 16h, com a execução do Hino Nacional e abertura da bandeira símbolo do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), que estreou na avenida com seus 20 metros de comprimento por oito metros de largura. Entre passos de dança, demonstrações de afeto e uma leve caminhada, foram quase duas horas e meia até a chegada ao palco do Vitória Régia, onde o grupo Teatro Mágico se apresentou.


Segundo os organizadores, caravanas do Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, além de mais de 10 cidades da região, vieram a Bauru para acompanhar a Parada. Em cinco anos de evento, o presidente da Associação Bauru pela Diversidade (ABD), Rick Ferreira, afirma que não apenas festa, mas o movimento como um todo ganhou espaço na cidade.


“Há cinco anos, Bauru era uma cidade tradicional e conservadora. Hoje, nossa Parada já é a segunda maior do Estado, atrás apenas da de São Paulo, que é a maior do planeta. Além disso, a cidade é única do Brasil que conta com uma semana de combate ao preconceito e à discriminação. E as pessoas vão às ruas para mostrar que estão sensíveis à causa” frisa.


Um exemplo é o da aposentada Celina Castro, 69 anos, que foi assistir à marcha pela primeira vez com a nora Fernanda Alves, 29 anos, e neta Beatriz Castro, 2 anos. Vinda de São João del Rei (MG) para visitar parentes em Agudos, ela acompanhou empolgada toda a movimentação de pessoas.


“A gente vê esse tipo de coisa pela televisão, né? Então, já imaginava que seria assim. Acho que a gente deve respeitar as pessoas e desejar que elas sejam felizes, independentemente de como elas buscam esta felicidade”, destaca.

 

“Bailarinas”


A nora Fernanda, mãe de Beatriz, comenta que trouxe a filha para ensiná-la, desde pequena, a respeitar e admirar as diferenças entre as pessoas. Incumbiu-se da mesma missão a fisioterapeuta Érica Figueiredo, 35 anos, que levou a filha Pietra, de 2 anos, para brincar durante a Parada.


A pequena, que estava toda produzida para a festa, ficou maravilhada com as cores e brilhos das roupas que as drag queens vestiam e fez questão de tirar foto ao lado de algumas delas. “Na verdade, ela acha que são bailarinas e não entende muito bem o que está acontecendo ao redor dela. Mas acho que é assim que tem de ser: ela vai conviver com a diversidade desde pequenininha e esta realidade vai se tornar algo natural na vida dela”, frisa.


Moradora de Araçatuba, a drag Brenda Loppes também fez sucesso com as crianças com sua roupa imponente e colorida. “É importante a gente vir para a rua, mostrar que não somos monstros ou pessoas anormais. Esta aproximação com a sociedade é uma forma importante de combater o preconceito e lutar por igualdade”, disse.

 

Evolução


Madrinha da Parada bauruense, Rubya Bittencourt conta que foi proprietária da primeira boate gay de Bauru, em 1995, numa época em que os homossexuais eram marginalizados. Passados 17 anos – o que, na dimensão histórica, é muito pouco -, ela comemora o sucesso da quinta edição da marcha, em Bauru, que demonstra o quanto este público ocupa, hoje, espaço em várias esferas sociais. “É uma evolução maravilhosa, um sonho realizado. Mas, claro, ainda temos por que lutar. E continuaremos lutando”, frisa.

 

Show de drags e Teatro Mágico


Ao final da marcha, por volta das 18h30, o público ficou concentrado no Parque Vitória Régia, onde a madrinha da Parada da Diversidade, Rubya Bitencourt, animou o público e anunciou as atrações programadas para a noite.


Uma das performances mais animadas foi a das drag queens Naomy Saiox e Valentina Prince que, junto com a transexual Giovanna Gery, imitaram coreografias e dublaram músicas das “Empreguetes”.

Às 20h, foi a vez do show com a cover oficial da cantora Beyonce, Fran Masson. Ao final do evento, o grupo Teatro Mágico - conhecido pelas letras poéticas e apresentações performáticas - subiu ao palco, por volta das 20h30, para finalizar as atividades do calendário oficial do aniversário de Bauru.