Bogotá - O governo da Colômbia e representantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinaram ontem em Cuba um acordo para iniciar negociações para a paz, informou o canal de televisão Telesur, ligado ao governo Hugo Chávez.
A informação também foi veiculada pelo ex-vice-presidente da Colômbia Francisco Santos na rádio colombiana RCN. Segundo ele, que é primo do atual presidente Juan Manuel Santos, e a Telesur, a primeira reunião entre governo e guerrilha deve acontecer em Oslo, na Noruega, em 5 de outubro.
Questionado, o governo da Colômbia não confirmou ou negou o acordo com as Farc. Fontes ligadas à Presidência disseram à agência Reuters que aproximação entre as partes está em curso.
Se confirmado o pacto, será o maior movimento em 15 anos para o fim do conflito com o grupo insurgente, que começou nos anos 60.
Juan Manuel Santos assumiu o poder em 2010 cogitando a reabertura do diálogo com as Farc, que, liderada por Alfonso Cano - que morreria no ano seguinte-, propunha retomar conversações.
A ideia, porém, é atacada ferozmente pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), que de padrinho político de Santos passou a adversário. É vista com cautela por políticos como o ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus, que recordam o fracasso das negociações iniciadas em 1997.
À época, as Farc acabaram se fortalecendo na área desmilitarizada que obtiveram como parte do acordo.
Antes, nos anos 1980, anistia geral e indultos trouxeram poucos resultados em meio à guerra do tráfico e fim da trégua entre grupos estatais, insurgentes e paraestatais.
Há um outro grupo de especialistas, como os do think tank International Crisis Group, que defendem o diálogo porque dizem que uma solução puramente militar é impossível para o conflito.
Apesar do acosso militar da última década, que resultou na morte de vários de seus líderes, a guerrilha possui estimados 8.000 integrantes numa estrutura descentralizada financiada com narcotráfico e sequestros capaz de articular atentados, inclusive em solo urbano.
As Farc entregaram os que consideram “prisioneiros de guerra” - integrantes das forças de seguranças ou políticos - que consideram “trocáveis” por guerrilheiros detidos. Estima-se, no entanto, que mantenham em cativeiro sequestrados comuns, a espera de resgate. Não há cifras oficiais. Segundo a ONG País Libre há 405 pessoas detidas na selva pela guerrilha.
Negociadores
Segundo a Telesur, o representante das Farc é o comandante Mauricio, líder da guerrilha após a morte de Jorge Briceño. Pelo governo, o conselheiro de Segurança Sergio Jaramillo, o ministro do Meio Ambiente, Frank Pearl, e Enrique Santos, irmão do presidente. Nova reunião em Cuba acertaria os parâmetros da negociação.