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Malavolta Jr. |
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Além de trabalhar em uma indústria, o uruguaio Gonzalo administra agência de turismo |
A crise econômica europeia afetou a indústria brasileira no primeiro semestre deste ano, fazendo com que o País exportasse e importasse menos. Por conta disso, o número de Carteiras de Trabalho (CTPS) para estrangeiros emitidas pela subdelegacia do Mistério do Trabalho e Emprego (MTE) em Bauru diminuiu 38% neste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
Com a mão de obra técnica industrial - em grande parte chinesa - em baixa, a área de serviços voltados à alimentação e lazer se tornou a “bola da vez”, empregando trabalhadores como portugueses, bolivianos e uruguaios, oriundos da América do Sul.
A constatação é feita por José Eduardo Rubo, gerente regional do Ministério do Trabalho em Bauru, sobre um levantamento feito pelo órgão de modo informal com os solicitantes da CTPS na subsede do órgão, que atende 55 municípios da região.
Conforme o relatório do MTE, em 2011 trabalhadores oriundos da América do Sul como bolivianos, paraguaios, peruanos e argentinos já ocupavam o primeiro lugar no ranking com os pedidos para a retirada da Carteira de Trabalho.
Mas, se comparada ao contingente, somente com a representação dos chineses a Ásia lideraria o grupo, acumulando sozinha 14 habilitações anuais em uma lista envolvendo 26 países com um total de 70 CTPS emitidas.
Apesar da liderança, em 2012 o número de chineses à espera de Carteira de Trabalho caiu para cinco, sendo ultrapassado por bolivianos e portugueses que, até o final de julho deste ano, somaram 16 solicitações à subdelegacia do Trabalho. O total de Carteiras de Trabalho para estrangeiros, com contratos em grande parte temporários, emitidas até o período foi de 43.
“O Brasil não está atrativo, mas por um lado, a crise na Europa fez com que trabalhadores portugueses buscassem oportunidades fora da zona do euro, em setores voltados ao serviço e lazer nos países emergentes. Já os bolivianos são atraídos pelas necessidades de contratação de mão de obra no setor de manufaturas, visando a demanda de consumo do final de ano”, explica Rubo.
O diretor regional do MTE ressalta que o crescimento da Ásia e o baixo ritmo de importação de máquinas pelo Brasil para as indústrias de origem oriental resultaram na diminuição da necessidade de contratar mão de obra técnica chinesa.
Novo momento
A tendência é confirmada pelo economista Reinaldo Cafeo, que ressalta que o Brasil passa por um novo momento de contratos de trabalho.
“A falta de qualificação adequada do brasileiro gera vagas para estrangeiros. Alguns empregadores acabam optando pela mão de obra que vem de fora para fugir das regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)”, considera o economista.
De acordo com o gerente regional do Ministério do Trabalho, a concentração dos estrangeiros que vêm para a região - na maioria das vezes por contratos temporários de 4 a 6 meses - ocorre principalmente em cidades como Bauru, Jaú, Avaré e Botucatu.
Em sua maioria, o pedido de autorização para trabalho temporário pelo chinês é feito por pessoas com nível técnico industrial, que procuram trabalho em empresas para montagem de equipamentos com foco no processo industrial.
Já os europeus, oriundos de Portugal, Espanha e Itália, buscam, segundo Rubo, vagas nas áreas de administração, hotelaria e alimentação, em bares e restaurantes.
Contudo, os bolivianos também vêm à região com o objetivo de trabalhar no setor de serviços, mas a concentração maior de trabalhos dessa nacionalidade tem sido verificada nas indústrias têxteis e em atividades de manufatura.
Do Uruguai para a indústria
Ao declarar uma verdadeira adoração pelo Brasil, em especial por Bauru, o uruguaio Gonzalo Horta Perez, que trabalha no setor de comércio exterior de uma indústria da cidade, se diz muito satisfeito com a vida em Bauru. “Aqui constituí família, casei-me com uma bauruense, tenho dois filhos e trabalho”, conta.
Segundo Gonzalo, que saiu do Uruguai há mais de 30 anos por considerar o país muito limitado econômico e profissionalmente na época, sua vinda para Bauru se deu através de um amigo já instalado na cidade. “Cheguei aqui movido pela busca de novos horizontes e boas oportunidade profissionais, sonhos que hoje estão concretizados”, finaliza.